Mundo: Mesmo ausente, Cuba pode influir na OEA

Havana, 20/04/2005 – Cuba poder influir na disputa entre o candidato mexicano e o chileno pela secretaria-geral da Organização dos Estados Americanos, apesar de ser o único país do continente excluído desse fórum desde 1962. A esse paradoxo deve-se acrescentar outro, como o de que inclinaria a balança em sentido contrário ao do México, que junto com o Canadá se negou nos anos 60 a romper as relações diplomáticas com esta nação caribenha de sistema socialista. O presidente de Cuba, Fidel castro, na segunda-feira atacou duramente o chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez, que compete com o ministro do interior chileno, José Miguel Insulza, pela direção da OEA.

Castro disse que Derbez é um "presunçoso" e "candidato frustrado e fracassado", apoiado por Washington em suas aspirações de dirigir essa "porcaria" que é a OEA, integrada por 34 países, todos os do continente, menos Cuba. "Todos os governos caribenhos sabem que é o candidato dos Estados Unidos", sentenciou castro, depois de lembrar que "o outro", Insulza, "tem a oposição" de Washington. Nesse sentido, recomendou que se converse "rapidamente com os caribenhos" para impedir que Derbez "saia a fazer política, e oferecendo promessas e enganando os outros". Como parte da ofensiva chilena para ganhar a OEA, o subsecretário chileno das Relações Exteriores, Cristián Barrios, visita esta semana a área do Caribe, enquanto o presidente do Chile, Ricardo Lagos, realiza uma viagem a Brasil, Venezuela e Colômbia.

Especialistas recordaram que castro mantém uma estreita relação com a maioria das nações caribenhas, que recebem valioso apoio cubano em matéria de saúde e educação, entre outras áreas. Também é conhecido seu alinhamento com o governo venezuelano de Hugo Chávez, partidário do candidato chileno e que vê prega a eleição na OEA como uma luta "contra o imperialismo dos Estados Unidos". Nesse sentido, meios jornalísticos do Chile advertiram que Lagos não gosta de tais extremos, mas, com o apoio do Brasil, primeiro país visitado por este mandatário, conseguiu diminuir o protagonismo de Chávez neste tema.

Insulza e Derbez empataram com 17 votos cada durante cinco rodadas de votação na sede da OEA em Washington, onde se reuniram no último dia 11 os chanceleres e outros chefes de delegação para esse objetivo. Em vista disso, as delegações de todos os países-membros ativos da organização se reunirão no próximo dia 2 de maio para uma nova votação. Não se descarta que antes dessa data surja um terceiro pretendente ao cargo. Segundo Fidel castro, a marginalização de Cuba da OEA apenas serviu para demonstrar o que era é fórum e que seu país podia resistir. "Tanto a OEA quanto os Estados Unidos fracassaram, estamos aqui, apesar deles", disse o presidente cubano.

No dia 30 de janeiro de 1962, os chanceleres da OEA aprovaram por maioria simples a suspensão de Cuba, com que a quase totalidade dos governos do continente suspenderam, posteriormente, todo intercâmbio comercial direto ou indireto. Por sua vez, castro reiterou o desinteresse de seu país por retornar a esse organismo regional. Se algum dia mudar, talvez "meditemos, refletiremos, sobre a conveniência de participar de uma instituição dessa natureza", afirmou. Apesar da longa exclusão da OEA, atualmente somente El Salvador carece de qualquer ligação com Havana, que em matéria de política externa hoje dá especial atenção aos seus laços com Venezuela, na América Latina, e China, na Ásia.

O colosso asiático é justamente a primeira escala de uma viagem por esse continente iniciado nesta segunda-feira pelo primeiro-vice-presidente e ministro da Defesa de Cuba, Raúl Castro, irmão mais novo de Fidel. Entre os primeiros pontos da agenda de Raúl, segundo homem na hierarquia política do país, em Pequi figura uma entrevista com o presidente Hu Jintao, que no final do ano passado assinou com Havana importantes convênios econômicos. Ao informar sobre o fato, a imprensa oficial cubano não deixou de esclarecer que nesse encontro foi ratificado "o princípio de fomentar o desenvolvimento de cada país socialista com sus peculiaridades próprias".

Fidel Castro, de 78 anos, está particularmente irritado pelo voto mexicano, na última quinta-feira, a favor de uma resolução norte-americana contra Cuba na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. Essa moção, aprovada por 21 votos a favor, 17 contra e 15 abstenções, contou com apoio de países da União Européia, bloco também fortemente criticado por Havana. Mas, também demanda que o México investigue a suposta passagem por esse país, em trânsito para Miami, do anticastrista de origem cubana Luis Posada Carriles, autor confesso de ataques com bombas contra vários objetivos civis de Cuba.

Fidel Castro dedicou as últimas semanas a aparecer diversas vezes na televisão estatal fazendo denúncias contra Carriles, cujo paradeiro se desconhecia desde que em agosto passado abandonou a prisão no Panamá graças a um indulto da então presidente Mireya Moscoso, pouco antes de terminar seu mandato. Carriles e outros três cubanos estavam na prisão desde o final de 2000, quando foram considerados culpados da acusação do próprio Castro de conspirar para assassiná-lo, aproveitando sua presença na Cúpula Ibero-americana, que nesse ano aconteceu no Panamá. (IPS/Envolverde)

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

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