Washington, 10/05/2005 – Em 2004, cresceu a taxa de emprego dos trabalhadores de origem latino-americana nos Estados Unidos.Porém são o único grupo étnico cuja renda média diminuiu pelo segundo ano consecutivo, porque o aumento da atividade esteve associado com o desempenho de tarefas que requerem baixa capacitação, de acordo com um informe divulgado pelo não-governamental Centro Hispânico Pew, com sede em Washington. O documento assinala que se registra uma tendência de polarização entre os trabalhadores chamados "latinos" e os demais, bem como uma dura competição por postos de trabalho entre comunidade de origem imigrante.
Mais de um milhão dos 2,5 milhões de novos empregos criados no ano passado na economia norte-americana foram ocupados por latinos, indicaram os autores do informe com base na análise dos dados mais recentes do Escritório de Censos e do Escritório de Estatísticas Trabalhistas. Porém, a média salarial dos trabalhadores latinos conforme esses dados atualmente é 5% menor do que há dois anos. Os imigrantes mais recentes procedentes de países latino-americanos estiveram entre os principais ocupantes de novos empregos, mas também estiveram entre os principais afetados pela queda da remuneração, diz o relatório. "Apesar da forte demanda de trabalhadores imigrantes, a crescente oferta de mão-de-obra latina e sua concentração em determinadas ocupações sugerem que aqueles que chegaram mais recentemente competem entre si no mercado de trabalho, em prejuízo de todos eles", comentou Rakesh Kochhar, economista trabalhista e pesquisador associado do Centro Hispânico Pew.
A renda dos imigrantes que chegaram há pouco tempo aos Estados Unidos caiu 2,6% em 2004, sem distinção entre latinos e não-latinos, segundo o informe. A grande maioria dos novos empregos obtidos por latinos requer pouco mais que a educação secundária. Por outro lado, o restante dos trabalhadores nesse país aumentou consideravelmente sua ocupação em tarefas mais qualificadas, que requerem pelo menos nível universitário. A comunidade de origem latino-americana e a de brancos não-latinos são as duas maiores concentrações de trabalhadores na economia norte-americana, e ambas conseguem empregos "tão diferentes que parecem percorrer caminhos separados no mercado de trabalho", comentou Kochhar. Essa polarização contribuiu para o aumento da brecha na renda entre latinos e não-latinos, e a queda dos primeiros foi maior para aqueles que chegaram aos Estados Unidos nos últimos cinco anos, destacaram os autores do informe.
"Os novos imigrantes que conseguem um significativo crescimento do emprego o fazem às custas de salários mais baixos. Não há dúvida de que essa tendência é exacerbada por sua concentração em ocupações com requisitos mínimos de habilidades e educação", explicaram os autores. No ano passado, a quantidade de latinos empregados aumentou em um milhão, ou seja, 6% em relação a 2003, e o número de desempregados dessa comunidade diminuiu em 48 mil (a grande diferença numérica se deve ao ingresso na população ativa latina de novos imigrantes e de jovens recém-saídos do sistema educacional, que em 2003 não buscavam trabalho nos Estados Unidos). No mesmo período, entre os trabalhadores não-latinos a quantidade de empregados aumentou 1,5 milhão, ou seja, 1,2% em relação a 2003, e passou a haver 461 mil desempregados a menos.
A taxa de desemprego entre latinos caiu mais de dois pontos percentuais desde meados de 2003, e desde 2000 não estava tão perto da taxa entre o resto da população ativa. Oitenta e um por cento dos novos empregos ocupados por latinos nascidos fora dos Estados Unidos, e 76% dos ocupados por latinos que nasceram no país, corresponderam a tarefas que requerem mínima educação formal. Em contraste, 64% dos novos empregos ocupados por brancos não-latinos nascidos nos Estados Unidos corresponderam a ocupações que requerem pelo menos um diploma universitário. O poder aquisitivo da renda semanal dos trabalhadores latinos caiu 2,2% em 2003 e 2,6% no ano passado. O mesmo indicador para os não-latinos brancos e negros aumentou em 2003 e caiu em 2004, 1,8% e 1%, respectivamente. Os trabalhadores de origem asiática formam o único grupo registrado que aumentou sua renda média nos últimos anos. (IPS/Envolverde)

