Londres, 30/06/2005 – Quer informação independente sobre a próxima cúpula do Grupo dos Oito? Esqueça os meios de imprensa convencionais e recorra a "redatores de base", recomenda a Red Pepper, a revista dos "verdes e da esquerda radical". A página da revista na Internet, um blog, ou espaço onde diferentes indivíduos podem divulgar informação ou opiniões próprias, pretende apresentar "uma cobertura ao vivo e sem censura desse encontro, as contra-referências e os protestos, desde o coração do movimento pela justiça global", durante a cúpula que acontecerá em Gleneagles, na Escócia, entre os próximos dias 6 e 8 de julho. Em um paralelismo com o lema da campanha internacional "Façamos da Pobreza História", o lema da Red Pepper é "Façamos do G-8 História". O Grupo dos Oito é formado pelos países mais industrializados do mundo: Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia.
Além das contribuições individuais, o site da Red Pepper oferece uma edição especial de sua revista sobre a cúpula, sob o título "A nova corrida pela África", numa referência a um dos principais temas do encontro, que é o desenvolvimento do continente africano. A cobertura alternativa da reunião será feita por ativistas de grupos como Dissent!, Façamos da Pobreza História e Alternativas ao G-8, bem como por repórteres de meios alternativos e jornalistas próprios da revista. A partir de uma modesta circulação de alguns poucos milhares de exemplares, a Red Pepper espera desafiar os meios de comunicação convencionais através da Internet.
"Com sorte, nossas opiniões e informações chegarão a pessoas de todo o mundo", disse à IPS Alex Nunns, da Red Pepper. O blog pretende ocupar um espaço entre a informação oficial do G-8 e a atitude adotada pela estrela do rock Bob Geldof e outras celebridades. "As celebridades não analisam os temas como deveriam", disse Nunns. O irlandês Geldof organizou cinco shows simultâneos na Europa e nos Estados Unidos para o próximo dia 2, vésperas da cúpula do G-8. chamados de "Live 8". Estas apresentações arrecadarão dinheiro para o desenvolvimento da África, mas também serão um claro chamado aos líderes do G-8 para que atendam á grave situação desse continente, o mais pobre do mundo.
"Bob Geldof fez um trabalho muito bom chamando a atenção para os problemas", mas ele e outras celebridades "têm uma agenda muito estreita", disse Nunns. "Apresentam os africanos como vítimas de desastres naturais que não podem ajudar a si mesmos. Geram assistencialismo, mas o verdadeiro problema na África é o sistema econômico", acrescentou. Além disso, prosseguiu, "esperam que o G-8 ofereça a solução, quando o próprio G-8 é o problema. É como se pedíssemos a Hitler para ajudar os judeus". Segundo o ativista, os grupos alternativos tampouco questionam suficientemente a posição do governo britânico, anfitrião da cúpula.
"A União Européia inunda o mercado africano com seus produtos" e a Grã-Bretanha está à frente de programas de privatização da água em países africanos, disse. "Nosso governo acredita que a privatização é a solução para todos os problemas", acrescentou. Muitos desses temas serão apresentados por numerosos grupos independentes paralelamente à cúpula. A Red Pepper dará atenção especial a "contra-cúpulas, eventos, ações, manifestações e oferecerá uma reação instantânea sem filtros sobre o comunicado final do G-8, no dia 8 de julho". A revista on line trabalhará com outros meios alternativos na Escócia para contrapor-se "à cobertura sem críticas da agenda do G-8 e à persistente demonização pela imprensa dos manifestantes contrários ao Grupo dos Oito".
Vários comentaristas planejam divulgar sua visão dos fatos no centro de meios independentes Indymedia, que permite publicar "um informe escrito, em áudio ou vídeo" sem nenhum filtro editorial. "Condenamos qualquer tentativa de silenciar os meios independentes", afirmou a diretora da Red Pepper, Hilary Wainwright, em referência aos rumores de que a polícia poderia confiscar o servidor da Indymedia em Bristol. "Nos unimos à União Nacional de Jornalistas, Liberty, Statewatch, Campanha contra a Criminalização de Comunidades, Federação Internacional de Jornalistas, Repórteres Sem Fronteiras, Privacy International e muitos outros grupos para expressar nosso apoio completo e incondicional à Indymedia no G-8", acrescentou. Os vídeos, fotos e testemunhos publicados na Indymedia tiveram um papel central no processo de 28 policiais na Itália pela repressão de ativistas durante a Cúpula do G-8 realizada em Gênova, em 2001. (IPS/Envolverde)
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