Naplusa, Cisjordânia, 26/07/2005 – "Antes da intifada de 2000 eu esta muito otimista… mas já não sou. Todos nos sentimos frustrados em nossa pequena prisão", disse Sawsan Aishe, uma Palestina de 24 anos formada na Universidade na Najah, em Naplusa, Cisjordânia. A Cisjordânia encontra-se sob intensos ataques das forças de ocupação de Israel desde que em setembro de 2000 começou a intifada (insurreição) de Al Aqsa, assim chamada por causa da mesquita de Jerusalém oriental onde começou a violência. Muitos prédios históricos jazem em ruínas e a população está traumatizada pelos ataques israelenses lançados em centros urbanos, na caça a extremistas islâmicos supostos ou reais. Na Cisjordânia (margem ocidental do rio Jordão), vivem cerca de dois milhões de palestinos; na Faixa de Gaza (a oeste de Israel, no Mediterrâneo), aproximadamente um milhão, e perto de 240 mil em Jerusalém oriental, que reivindicam como capital de seu futuro Estado.
Naplusa tem um quarto de milhão de habitantes. O movimento para dentro e especialmente para fora da cidade é rigidamente vigiado por soldados israelenses. A cidade é conhecida por ter os dois postos de controle de fronteira mais severos da Cisjordânia: Huwwara e Bayt Eba. Huwwara é palco de numerosas humilhações para os palestinos. Centenas de pessoas fazem filia diariamente, sob o sol escaldante de verão ou em pleno inverno, com seus documentos de identidade em mãos, esperando que os soldados israelenses armados com submetralhadoras M16 as autorizem a passar através de uma porta giratória. Estas medidas restritivas e as incursões noturnas de Israel na cidade e aldeias ao seu redor danificaram a infra-estrutura local e a psique de sua população.
Ultimamente aumentaram os ataques de colonos israelenses que resistem à evacuação da Faixa de Gaza e do norte da Cisjordânia. A retirada, decidida unilateralmente pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, começará em meados de agosto. Khawla Isleem, mãe de cinco filhos, sonha para eles "uma vida melhor". Isleem nasceu no Kuwait, mas regressou com sua família para a Palestina em 1967 (ano da guerra em que Israel tomou a Palestina e outros territórios árabes) para recuperar sua identidade e sua terra. "Foi muito difícil, mas precisávamos voltar", disse à IPS. Segundo Isleem, a vida em Naplusa era muito melhor antes da segunda intifada. "A economia ia bem, a educação era boa e podíamos viver sem muita dificuldade. Mas o primeiro ano desta intifada (2000-2001) foi horrível. Não era vida", contou. O Escritório Central de Estatísticas da Palestina revelou que a renda de 65,2% dos lares palestinos caiu durante a atual intifada, e que 53,9% afirmaram ter medido mais da metade de sua renda habitual.
A vida é especialmente difícil para os jovens, que não têm opções. Isleem tem duas filhas que cursaram universidade. "Muitos de nossos jovens estão muito bem preparados, mas não há trabalho. É comum as jovens decidirem se casar e iniciar uma família quando percebem que não podem trabalhar na profissão que estudaram", contou a mulher. Aishe, por exemplo, trabalha com voluntária em uma organização não-governamental palestina desde que se formou, este ano. Também dá aula de conversação em inglês e artesanato em um acampamento de verão local. "Conseguir um trabalho é muito difícil, não há opções. Prefiro fazer algo, embora de forma não honorária", disse. A vida dos palestinos é sempre instável, mas se sentem mais vulneráveis à noite. "É quando as forças israelenses entram em nossa cidade. Hoje pode ser um dia normal, mas ninguém sabe o que acontecerá durante a noite, e amanhã nada poderá ser o mesmo", disse Isleem.
Yusra Aqqad, de 19 anos, cresceu durante a primeira intifada (1987-1993) e há cinco anos vive a segunda. "Desde que era menino conheço os soldados israelenses, o som das balas e os gritos das mulheres em busca de seus filhos e maridos", contou. Aishe tem lembranças semelhantes."Quando era menina me escondia atrás das cortinas da minha casa quando ouvia que soldados ou colonos israelenses tinham entrado em minha aldeia. Nunca esquecerei a destruição que sofremos e continuamos sofrendo. É como um leão que come uma zebra", acrescentou. A jovem teme que alcançar seja impossível, mas não deixa de sonhar: "Quero que meus filhos vivam como outras crianças do mundo". (IPS/Envolverde)
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O Brasileiro não se manifesta acerca destes crimes, ele não entende e não se interessa por entender a situação que “esta longe”…da uma piada ruim que ele vai se envolver, compartilhar e espalhar por toda a net, se tiver virus, melhor. Parabéns por se manifestar!