Indígenas: Onda mundial de violência e impunidade

Londres, 10/08/2005 – Soldados da Indonésia cortaram o rosto e o corpo de Petto Wenda com uma navalha, jogaram gasolina em sua cabeça e colocaram fogo. O ataque aconteceu na aldeia Pyramid, habitada pela tribo Lani, nas montanhas da província de Papua. Outros dois homens foram feridos a tiros e estão desaparecidos na selva, onde também se escondem os outros aldeões desde que essas tragédias aconteceram, em julho. Estima-se que aproximadamente 6,5 mil indígenas papuanos fugiram de suas aldeias e pelo menos 50 morreram de fome e doenças, denunciou a organização humanitária britânica Survival International (Sobrevivência Internacional).

No Brasil, um índio guarani foi morto a tiros no dia 26 de junho por pistoleiros contratados por proprietários de terras, horas depois de a vítima e outros indígenas terem ocupado a terra da qual foram expulsos há 30 anos. No dia 30 de junho, dois índios brasileiros truká foram assassinados por um "esquadrão da morte" policial, e um líder guajajara foi ameaçado no dia 10 de junho por supostos capangas de produtores de soja que haviam invadido suas terras. Enquanto a Organização das Nações Unidas celebrava, nesta terça-feira, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, uma onda de ataques violentos sacode tribos de todo o mundo, advertiu a Survival.

"Os indígenas costumam ser especialmente vulneráveis porque não podem se fazer ouvir", afirmou Sophie Greek, da Survival. "Freqüentemente, o resto da sociedade não os protege, e, de fato, está interessada em ocupar suas terras", disse à IPS. Como em muitos países são tratados como animais, sem direitos, costumam ser vítimas de atos de violência que ficam impunes. Na realidade, são vítimas de um racismo não reconhecido, ressaltou Greek. A imprensa não se ocupa de suas dificuldades e muitas vezes contribui para sua discriminação através do uso de termos como "primitivos" para descrevê-los, afirmou a ativista. "Acreditam que os indígenas são menos modernos do que nós. No entanto, são igualmente modernos, apenas vivem de maneira diferente", disse Greek, acrescentando que, em geral, os que vivem em tribos são atacados da pior maneira.

Em todo o mundo vivem cerca de 150 milhões de indígenas. A ONU reconhece suas dificuldades, mas não avança muito em sua resolução. "Lamentavelmente, o sistema das Nações Unidas funciona com muita lentidão", disse a ativista. Na primeira Década dos Povos Indígenas, de 1995 a 2004, não houve nenhum progresso substancial, e a ONU reconheceu isso ao se decidir por uma segunda década, lembrou Greek. Alguns dos atos de violência mais atrozes contra comunidades tribais se registraram na África. Em Botsuana, sete membros das tribos gana e gwi foram torturados, em junho, por funcionários florestais, um castigo por caçar. Essas comunidades dependem da caça para alimentar suas famílias, mas o governo os expulsou de suas terras no Kalahari e os proibiu de continuarem com essa prática, denunciou a Survival International.

"Nos bateram muito. Acho que queriam nos matar. Os oficiais chutaram meus testículos, me bateram, me pisaram, e quebrarem meus dedos contra o chão", contou uma das vítimas, Letshwao Nagayame, citado pela Survival. "Estes horríveis atos de violência são cometidos contra as pessoas mais vulneráveis do mundo, cuja existência já está ameaçada pelo roubo de suas terras e a destruição de seus meios de sustento", afirmou o diretor da Survival, Stephen Corry. "Com muita freqüência, os responsáveis por atos de violência contra comunidades tribais ficam impunes. A Survival exige o fim destes crimes", afirmou Corry. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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