Migração: Política de vistos custa milhões aos EUA

Nova York, 06/09/2005 – A rígida política de concessão de vistos dos Estados Unidos ameaça a competitividade econômica nacional e os objetivos de política externa, alertou o Instituto de Políticas de Migração (MPI). Em seu documento "Fronteiras seguras, portas abertas", este gabinete de especialistas de Washington culpa o governo pela falta de um plano estratégico para o programa de vistos e a "nebulosa" coordenação entre o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna, que provoca a duplicidade de tarefas e uma má distribuição da informação.

Um dos maiores desafios do programa de vistos será "contrapor-se à percepção internacional de que os Estados Unidos se tornaram mais hostis para os visitantes", aconselha o relatório, cuja divulgação coincide com o reinício das sessões do Congresso para o que promete ser um acalorado debate sobre como proteger as fronteiras nacionais. "As perdas do turismo e da indústria foram importantes nos últimos anos. Os pedidos de visto de não-imigrantes diminuiu 35% entre 2001 e 2003, a matrícula de estrangeiros em escolas norte-americanas para o período 2003-2004 caiu pela primeira vez em 30 anos, e a quantidade de turistas que visitaram o país diminuiu em mais de 10 milhões de pessoas entre 2002 e 2003", diz o relatório. "Também há informes sobre a perda de milhares de milhões de dólares em investimento estrangeiro direto e em contratos de exportações norte-americanas", acrescenta o documento.

A política de vistos e de imigração, em geral, é para Washington um instrumento-chave de segurança nacional, especialmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Um motivo de grande preocupação é o impacto da rígida concessão de vistos sobre a educação superior. "Não se trata apenas de um problema de vistos, mas de acesso. As inumeráveis barreiras para que estudantes estrangeiros possam estudar aqui, tomadas em conjunto, representam um grande problema para nosso país", advertiu Ursula Oaks, do Departamento de Políticas Públicas da Associação de Educadores Internacionais, em declarações à IPS.

Debra Stewart, presidente do Conselho de Escolas de Graduados, demonstrou preocupações semelhantes em um simpósio sofre um relatório do MPI. Stewart considerou que as últimas estatísticas sobre o fluxo de estudantes estrangeiros "são uma lembrança da importância da política norte-americana de vistos". No ano passado, recordou, os pedidos de graduados estrangeiros para continuarem seus estudos nos Estados Unidos caíram 28%, e neste ano, mais 5%. E nos últimos três anos, a matrícula de estudantes estrangeiros também caiu, pela primeira vez. "Como a matrícula de estrangeiros em engenharia se aproxima da metade do total, e em ciências físicas supera os 40%, estas reduções colocam em dúvida a capacidade norte-americana de manter sua posição de liderança nestas áreas", advertiu Stewart.

O pessoal consular norte-americano "deve compreender melhor o mundo acadêmico dos Estados Unidos no qual estudantes estrangeiros pretendem entrar", acrescentou a especialista. Stewart destacou recentes progressos no processo de concessão de vistos, mas destacou que "persistem problemas que não são resolvidos apenas com maior eficiência, mas que requerem um planejamento estratégico dos próprios propósitos da política de vistos. A segurança nacional dos Estados Unidos, sua segurança intelectual e até sua capacidade de competir dependem disso", ressaltou. O relatório do MPI, escrito por Stephen Yale-Loehr, Demetrios Papademetriou e Betsy Cooper, também pede ao Congresso que estabeleça um processo de avaliação que envolva diferentes organismos para estudar incidentes de admissão de pessoas que apresentam riscos de segurança.

Embora o Departamento de Estado "trabalhe para corrigir atrasos causados por controles adicionais e entrevistas obrigatórias", ainda são necessárias mudanças "para tornar mais transparente o processo de solicitação, facilitar a re-emissão de vistos desde os Estados Unidos e eximir da entrevista os viajantes que tenham recebido vistos há pouco tempo", diz o estudo. O documento recomenda "uma lista de observação nacional integrada, em constante revisão, além de um sistema melhor de comunicação entre agências para compartilhar recomendações sobre segurança". Além disso, "o Departamento de Estado, o Departamento de Segurança Interna e o Escritório Federal de Investigações (FBI) devem estabelecer um sistema de impressões digitais realmente compatível e adotar normas que possam utilizar agências norte-americanas, junto com a criação de passaportes biométricos de outros países". (IPS/Envolverde)

William Fisher

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *