Ásia: A Europa renova compromisso com vítimas do tsunami

Bruxelas, 21/12/2005 – Quase um ano depois do devastador tsunami que deixou 200 mil mortos em 13 países litorâneos dos oceanos Pacífico e Índico, a União Européia alertou que os sobreviventes ainda se encontram em penosas condições. Os governos da Indonésia e do Sri Lanka são exigidos ao limite de sua capacidade em razão do maremoto do dia 26 de dezembro passado, segundo a UE, que em um relatório divulgado nesta terça-feira se comprometeu a continuar com suas tarefas de reconstrução nos países afetados. O bloco europeu destinou o equivalente a US$ 13 bilhões para ajudar as vítimas.

Funcionários da UE, da Organização das Nações Unidas, do Banco Mundial e da Cruz Vermelha se reuniram nesta terça-feira em Bruxelas para examinar os êxitos obtidos e as necessidades que se apresenta agora. "Continuará sendo necessária assistência humanitária durante todo o ano de 2006 e, talvez, o seguinte", disse pouco depois da reunião a comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner. "O ano que vem será decisivo para a reconstrução. A Comissão Européia (braço executivo da UE) entregará fundos comprometidos no valor de 350 milhões de euros (US$ 425 milhões)", explicou Ferrero-Waldner.

"Os projetos iniciados este ano poderão ser acelerados, e tentaremos equilibrar nossa prioridade atual – atender as necessidades imediatas – com maiores projetos em infra-estrutura e habitação", acrescentou. A coordenação entre doadores nos últimos meses foi um dos maiores desafios, afirmou a comissária. "A generosidade deve combinar com a eficiência. Por isso estamos fortemente envolvidos em melhorar essa coordenação. Na Indonésia, a Comissão Européia preside o fundo de doadores, que ajuda a dar coerência ao planejamento e aos contatos com o governo local", disse Ferrero-Waldner.

A UE procurará melhorar os procedimentos internos e sua cooperação com sócios internacionais com vistas à assistência em futuros desastres. "Devemos continuar buscando meios para otimizar nossos procedimentos internos e nossa cooperação com outros, para assegurar que responderemos ainda melhor no futuro", afirmou. Outro fator que ameaçou os esforços de reconstrução foi a persistência dos conflitos armados na província Indonésia de Aceh e no nordeste e norte de Sri Lanka. De todo modo, a União Européia procurou atender os fatores políticos que dificultaram as gestões de assistência.

"Estamos muito ativos na busca de uma solução para o conflito nas duas áreas, e nossa contribuição a um acordo de paz em Aceh é um êxito real. Sem uma paz sustentável, os trabalhos de reconstrução significativos seriam impossíveis", afirmou a comissária à imprensa. Na reunião de doadores realizada em Jacarta, em janeiro, a Comissão Européia e os países-membros da UE se comprometeram em conjunto a dar mais de US$ 2,3 bilhões aos países afetados pelo tsunami. Até agora, a Comissão Européia entregou cerca de 80% dos US$ 659,5 milhões que cabiam a título de ajuda humanitária para os países afetados pelo tsunami.

No total, US$ 145,8 milhões foram destinados a alimentos, instalação de abrigos, serviços de saúde, fornecimento de água e saneamento, bem como para a reparação de utensílios para a pesca e barcos, ferramentas com as quais milhões de afetados ganham o sustento diário. A UE também destinou US$ 112,6 milhões para reabilitar serviços comunitários e reparar a infra-estrutura econômica. O bloco, além disso, trabalha em conjunto com a ONU para desenvolver um sistema mundial de alerta e coordenação de desastres com vistas a futuras catástrofes. O novo mecanismo pode transmitir o alerta aos serviços de emergência com 30 minutos de antecedência, via correio eletrônico ou mensagem por telefone celular.

Porém, alguns governos asiáticos vincularam a entrega de dinheiro às vítimas à mudança de suas comunidades, afastando-as de suas terras produtivas e de seus meios de vida, e a União Européia apóia alguns desses projetos, afirmou a organização humanitária ActionAid. "Os doadores comprometeram pouco dinheiro na construção de infra-estrutura, o que teria o potencial de beneficiar diretamente os pobres, ao lhes proporcionar oportunidades para ganhar seu sustento", afirmou a ActionAid. Para esta organização não-governamental com sede em Londres, o maior desafio depois do tsunami é conseguir uma recuperação de longo prazo das regiões afetadas.

Os programas de assistência apoiados pelo Banco Mundial e sua filial regional, o Banco Asiático de Desenvolvimento, assim como pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) não conseguiram minimizar o efeito das "inequidades preexistentes" derivadas das castas, gênero, raça, nacionalidade e dos conflitos armados. Como conseqüência, advertiu a Action Aid, a discriminação e a exclusão poderiam converter-se em "uma norma" do processo de recuperação. (IPS/Envolverde)

Stefania Bianchi

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *