Oriente Médio: Imagem dos EUA em queda livre

Washington, 18/12/2006 – A imagem dos Estados Unidos no mundo árabe registrou nova e acentuada queda este ano, segundo pesquisa feita em cinco países pela consultoria Zogby International e pelo Instituto Árabe-Norte-americano. Baseada em 3.500 entrevistas com adultos escolhidos ao acaso da Arábia Saudita, do Egito, Marrocos, Jordânia e Líbano, a pesquisa concluiu que a contínua deterioração da imagem de Washington se deve principalmente às políticas do governo George W. Bush em relação ao Iraque, à Palestina e ao Líbano.

Mas também houve uma queda na popularidade dos valores culturais e ideológicos norte-americanos, embora não tão acentuada. Em especial, chama a atenção as opiniões negativas sobre os Estados Unidos na Arábia Saudita e Jordânia, duas monarquias que são estreitas aliadas de Washington. Nove em cada 10 jordanianos consultados mostraram ter opiniões predominantemente negativas sobre os Estados Unidos, mais de 32% desde o início de 2005. Além disso, 87% dos marroquinos disseram que suas opiniões sobre os Estados Unidos eram desfavoráveis, contra 64% no ano anterior.

O principal beneficiário do crescente mal-estar árabe com Washington parece ser o Irã, algo que deveria preocupar os políticos norte-americanos, disse o presidente do AAI, James Zogby, também conselheiro da Zogby International. “Quando os números dos Estados Unidos baixam, os do Irã sobem. Essa é a realidade”, disse a jornalistas ao apresentar o estudo, na quinta-feira. Enquanto os líderes árabes, incluindo aqueles com populações predominantemente sunitas “estão muito preocupados (com o aumento da influência iraniana), o público árabe tem uma visão totalmente diferente”, afirmou.

Zogby disse que a maioria dos consultados não estava preocupada com o plano nuclear do Irã, e sim com a situação no Iraque e na Palestina. Mais de sete em cada 10 entrevistados na Arábia Saudita, no Marrocos e na Jordânia, bem como uma maioria no Líbano, disseram que os esforços norte-americanos para deter o programa nuclear iraniano contribuíram para suas visões negativas a respeito de Washington. A nova pesquisa, a última de uma série que começou em 2002, foi divulgada em meio a uma crescente controvérsia sobre as políticas de Bush no Oriente Médio.

A confiança pública na estratégia de Washington no Iraque caiu, sobretudo, desde a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas do mês passado. O debate se intensificou depois da divulgação há alguns dias do informe do Grupo de Estudos sobre o Iraque (ISG), comissão de especialistas designada pelo Congresso, que propôs uma drástica mudança de rumo na política norte-americana para o Oriente Médio, incluindo uma aproximação com a síria e o Irã para resolver a crise iraquiana.

Enquanto o ISG, co-presidido pelo ex-chefe da diplomacia James Baker e pelo ex-representante do Partido Democrata Lee Hamilton, é alvo de um agressivo ataque por parte da imprensa neoconservadora, como The Wall Street Journal e Weekly Standard, Zogby concorda com as conclusões desse grupo de especialistas. “O que esta pesquisa me diz é que o relatório Baker-Hamilton estão correto. Se queremos resgatar nossa credibilidade no Iraque, devemos cuidar dos assuntos que preocupam nossos aliados”, árabes, acrescentou. “É um risco para o rei Abdulá (da Jordânia) se reunir com Bush quando 90% de seu povo tem uma visão negativa dos Estados Unidos”, ressaltou.

Entre 86% e 96% dos entrevistados na Arábia Saudita, no Marrocos e na Jordânia; entre 62% e 74% dos libaneses, e uma maioria dos egípcios disseram que as políticas da Casa Branca na Palestina, no Iraque e no Líbano tiveram um impacto “negativo” ou “muito negativo” em suas opiniões sobre Washington. Consultados sobre como mudou sua visão sobre os Estados Unidos, cerca de três em quatro egípcios e jordanianos, seis em cada 10 marroquinos e sauditas, e quase a metade dos libaneses disseram que se tornara mais negativa. Quando lhes foi pedido para identificar os dois maiores fatores que contribuíram para essa mudança, a maioria em todos os países, com exceção do Líbano, mencionou as crises no Iraque e na Palestina. Os libaneses apontaram a política de Washington para seu próprio país. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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