Educação: Bombardeio contra a desigualdade

Madri, 04/01/2007 – O grande desafio dos países da América Latina e do Caribe é reduzir “a desigualdade econômica e social” e isso “só será possível com um apoio coletivo, de governos, empresas, universidades, organizações não-governamentais e, resumindo, envolvendo toda a sociedade” Assim afirmou o catedrático espanhol Álvaro Marchesi após assumir na terça-feira o cargo de secretário-geral da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), em substituição ao argentino Francisco Piñon, após gestão de oito anos.

Por isso é necessário impulsionar programas e ações concretas em matéria de educação e cultura “em toda a Comunidade Ibero-americana”, entendendo como tal o bloco formado por Andorra, Espanha, Portugal e os países da América Latina e do Caribe, acrescentou em conversação com a IPS. Marchesi ocupou o cargo de secretário da Educação no governo do socialista Felipe González (1982-1996) e foi diretor internacional do Instituto de Avaliação e Assessoramento Educativo (Idea) de 1997 a 2006, com especiais atividades no Brasil, Chile e México.

A OEI é um organismo intergovernamental para a cooperação entre os países ibero-americanos no campo da educação, ciência, tecnologia e cultura. Sua sede central está em Madri e é integrada por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.

O papel da educação foi destacado por Ricardo Díez-Hochleitner, presidente honorário do Clube de Roma e membro do conselho executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura. Para enfrentar os problemas “necessitamos que se formem líderes políticos e sociais para além da simples oratória, que sintonizem com a sociedade”, disse à IPS. Díez-Hochleitner acrescentou que, para ele, é preciso educar para “uma democracia participativa, ativa, real, e não deixar seu exercício somente nas mãos dos políticos”. É preciso impulsionar o estudo das humanidades, “que devem constituir a alma da ciência e da tecnologia” e não de separar estas últimas das primeiras, com se faz atualmente na maioria dos programas de ensino em todos os países ibero-americanos, afirmou.

“Porque isto, assim como se faz agora, é puro analfabetismo”, concluiu o também integrante da Fundação Bersteismann (da Alemanha), do Real Centro de Relações Internacionais da Espanha e da Fundação Gás Natural, do Conselho Internacional de Desenvolvimento da Educação e da Federação Mundial de Estudos sobre o Futuro, e do Comitê de Ciência e Tecnologia da Organização das Nações Unidas, além de numerosas instituições ibero-americanas.

A OEI nasceu em 1949 como um Escritório da Educação Ibero-americana, ganhou sua estrutura atual em 1985 e desde 1991 é encarregada de organizar as Conferências de Ministros da Educação e de Cultura das Cúpulas Ibero-americanas, além de desenvolver e coordenar uma série de programas de educação, ciência e cultura. Além de sua sede central da capital espanhola, a OEI conta com escritórios regionais no Brasil, Argentina, Colômbia, El Salvador, Espanha, México e Peru, além de escritórios técnicos no Chile, Honduras, Nicarágua e Paraguai.

Durante o mandato de Piñon se incorporaram à OEI como membros Brasil e Portugal, com o qual deixou de ser um organismo onde só havia países de língua espanhola. Seu financiamento está coberto por quotas obrigatórias e contribuições voluntárias dos governos dos Estados-membros, embora 90% dessas contribuições sejam da Espanha. Também há outros institutos, públicos e privados, que contribuem com fundos.

Na última Cúpula Ibero-americana, realizada em novembro em Montevidéu, os ministros da área recomendaram aos chefes de Estado e de governo a adoção de uma Carta Cultural Ibero-americana “como marco do fazer cultural e a consolidação da comunidade ibero-americana”. Também se comprometeram a “estreitar a relação entre as políticas culturais e a eliminação da pobreza como uma contribuição com os objetivos do milênio, estabelecidos pela ONU em 2000, e para o desenvolvimento econômico e social da Ibero-américa.

Na cúpula do Uruguai também se pronunciaram os ministros da Educação, que estabeleceram um Plano Ibero-americano de Alfabetização e Educação Básica de Pessoas Jovens e Adultas, para ser desenvolvido entre 2008 e 2015; a criação de um Espaço Ibero-americano do Conhecimento e o impulso de planos de troca de dívida externa por programas de educação. A coordenação de todas essas iniciativas vinculadas as Cúpulas Ibero-americanas no setor da educação, ciência, tecnologia e cultura estão a cargo da OEI.

Nesse sentido, Marchesi, ao falar no ato de sua posse, destacou que a OEI tem de cumprir o objetivo de “contribuir para fortalecer o conhecimento, a compreensão mútua, a integração, a solidariedade e a paz entre os povos ibero-americanos através da educação, ciência, tecnologia e cultura”. Para isso, durante o primeiro semestre deste ano deverá elaborar um plano de ação que apresentará ao Conselho Diretivo, formado pelos ministros ibero-americanos do setor e, enquanto isso, continuará cumprindo o atual, elaborado sob o mandato de Piñon. (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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