BRUXELAS, 15/03/2007 – O frango congelado oriundo do Brazil está a ameaçar a segurança alimentar dos consumidores. Um portacontentores cheio de toneladas de alimentos congelados e produtos avícolos do Brazil, está no porto Tema de Gana. Os alimentos ficam nos frigoríficos a espera de ser transportados ao capital de Accra ou ás outras partes do país. De repente, a energia é curtada O abastecimento da eletricidade em alguns países da África Ocidental como Gana, não é sem grandes dificuldades. As cortes frequentes da eletricidade acabam por desecongelar os alimentos, favorecendo o crescimento das bactérias como a salmonela. Isto aumenta os riscos sanitários desde que os produtos saiam do porto e vão direitamente aos mercados.
Uma vez que saiam do porto, os alimentos congelados vão aos intermediários que os revendem aos lojistas e aos mercados locais; estes comerciantes também têm dificuldades a manter os alimetos congelados. Os supermercados como aqueles dos países mais ricos são poucas em muitas partes da África, mesmo nos capitais.
“Muitas vezes, o frango vendido nos mercados passa o dia inteiro no sol, em condições poucas higiénicas, e descongela antes de ser vendido. Ao fim do dia o frango é congelado de novo, para ser revendido no próximo dia, e assim por diante até seja vendido. Este ciclo pode continuar durante meses,” disse o Zakaria Yakubu: o coordenador de programas de Grassroots Africa.
Baseada em Accra, esta organização não governamental trabalha na segurança alimentar e nutrição; e está a advogar para a redução da importação de produtos avícolos para as razões sanitárias.
Ele acrescentou que as importações destinadas ao norte do país são transportadas nas camiões abertas cheias de blocos de gelo, em vez dos camiões frigoríficos que se vê nos países desenvolvidos. Assim, a carne não está bem fria e descongela antes de chegar a sua destinação.
Dsde há alguns anos, os frangos congelados vindos do Brazil, da União Europeia ou dos Estados Unidos tenham invadidos os estados africanos, resultando num colapso das economias locais. Os consumidores dos países produtores prefirem o peito do frango. O restante da ave – as asas – que não podem ser vendidas nos mercados europeios ou americanos, são enviadas a África, e vendidas a preços mais baixos dos das aves locais.
Há pouco tempo, alguns países como os Camarões e a Nigeria, decidiram de impedir ou limitar as importações dos frangos congelados para salvar a economia local. Os outros países como a Gana, o Togo, a Sierra Leão não conseguiram bloquear estas importações e as economias deles continuam a sofrer.
”Mesmo se resolver os problemas da infraestrutura e da preservação seja a responsabilidade dos governos, os países exportadores também deveriam oferecer alguns serviços de apoio depois da venda, por que devem interessar se na boa qualidade e no bom tratamento dos produtos deles,” disse o Cees Vermeeren, um membro de AVEC, uma associação que trata dos produtos avívolos na União Europeia.
“Os produtores locais também beneficiariam do desenvolvimento da infraestrutura de congelação”, acrescentou ele.
Como parte dos Acordos de Parceira Económica (APE), negociados entre a União Europeia e os seus parceiros da África das Caríbas e do Pacífico (ACP), a Comissão Europeia comprometeu se a ajudar os países em vias de desenvolvimento, participar melhor no comércio internacional.
Estes acordos devem ser concluidos pelo fim de 2007, para que o comércio UE-ACP se conforma com as regras da Organização Mundial do Comércio. Estes acordos também abrirão o mercado ACP aos produtos europeios. Algumas nações receiam que os países ACP não sobreviverão a concurrência destes produtos.
“A única maneira para os países em vias de desenvolvimento enfrentar as exportações agressivas é de organizer e adaptar os mercados internos deles “, afirmou um deputado holandês no Parlamento Europeu o Thijs Berman, que é também membro da Comissão da Agricultur e do Desenvolvimento Rural.
“Temos que desenvolver as infraestruturas portuárias e ferroviárias, construir estradas, e o internet, melhorar a congelação e a preservação da indústria de carne “.

