NAIROBI, 26/04/2007 – Este ano marca o nascimento de uma nova “espécie”: Homo Urbanus. Pela primeira vez na história o mundo terá tantas pessoas vivendo nas cidades como nas zonas rurais. A direitora executive do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos, (UN-Habitat), a Anna Tibaijuka, inventou este termo para descrever os aumentos no número dos habitantes das cidades e dos bairros. Ela estava a falar durante a 21 sessão do conselho governante de UN Habitat que acabou no dia 20 de abril no capital queniano de Nairobi.
2007 é ano noqual o número dos habitantes dos bairros atinjirá uma bilhão de pessoas – um número que pode dobrar nos próximos 13 anos. No Tanzânia, um estado da África Austral, a taxa de crescimento da população urbana é de cerca de 6 porcento por ano, que é duas vezes a taxa media de crescimento da população.
A Tibaijuka disse aos delegados da 21 sessão que as cidades no mundo em vias de desenvolvimento absorverão 95 porcento do crescimento urbano nas próximas duas décadas. A maior parte deste crescimento realisará se nos bairros urbanos onde o objetivo de atinjir as Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (MDGs), é muito evasivo.
A falta de saneamento, água potável e serviços sanitários agraverá a inseguridade social e exarceberá a prevalência da mortalidade materna (MDG 5) e a propagação de doênças como os problemas respiratórios, a diarreia, o paludismo e o VIH/SIDA (as duas últimas doênças fazem parte da MDG 6). As taxas altas da mortalidade infántil (MDG 4) também continuarão a ser um grande problema.
A Tibaijuka disse que há uma percepão global de que os habitantes dos bairros não têm dinheiro. Más, mesmo se sejam pobres, eles gastam muito dinheiro para as necessidades básicas. Os habitantes dos bairros pagam quatro a 100 vezes mais para a água de que as pessoas afluentes. Por exemplo, na Quênia, as vezes a água potável vem de uma variedade de fontes como dos camiões de água.
Estes veículos que pertencem ao governo e que são conduzidos pelos funcionários estatais vendem a água as comunidades pobres. Alguns deles pertencem aos empresários que obtêm a água das perfurações de poços nos terrenos deles. Também houve casos na Quênia nosquais a água – que é vendida por preços muito inflacionários – foi obtida de fontes contaminadas, causando a diarreia, a cólera e a tifóide.
As pessoas vivendo nos bairros gastam muito dinheiro para o alojamento. Na África particularmente, estas habitações são construídas no terreno público que foi tomado pelos chefes dos bairros que então construiram esta acomodação temporária.
Um estudo pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos, ( UN-Habitat) mostrou que normalemente se pode recuperar os custos de construir estas barracas em nove meses. O que o locatório paga depois disto é lucro ‘puro’ para o “proprietário” que não têm nenhum documento de propriedade, e assim nenhum direito legal a terra e a aluguer estas barracas.
A Tibaijuka disse que muitas barracas “pertencem” aos ricos que vivem nos quintais luxuosos e que é inaceitável que aluguem estas habitaçoes sem dar a água e as facilidades de saneamento.
O aumento no número de habitantes urbanos também aumentará a lacuna de género na educação, tornando o muito difícil a atinjir o MDG 3 que se concentra na promoção da igualdade de géneros. As famílias pobres têm dificuldades a conseguir fundos para mandar as crianças delas a escola.
A publicação de UN-Habitat "O Relatório do Estado das Cidades do Mundo 2006/7" declara que na Uganda e na Zâmbia 74 e 51 porcento, respeitivamente, das mulheres jovens entre 15 e 24 anos citaram a falta de dinheiro como a razão principal de deixar a escola. As raparigas nos bairros correm um risco quatre vezes maior de apanhar o VIH.
O interessante é que o relatório não mostra nenhum padrão claro no que diz respeito a brecha urbana-rural e as casas chefiadas pelas mulheres. Na Quênia, Malauí, e a Ruanda estas casas estão principalmente nas zonas rurais. Na Burkina Faso, no Chade, na República Central Africana, no Egiptio e na Tanzânia a maioria destas casas chefiadas pelas mulheres estão nas zonas urbanas.
Não são todos os bairros que têm a mesma medida de deprivação más a UN-Habitat concluiu que os bairros na África sub saariana mostram os niveis mais altos da deprivação. Cerca de 80 porcento das casas nos bairros têm uma ou duas “deprivações de abrigo”.
'As deprivações de abrigo” consistem da falta de água e saneamento, a sobrepopulação, as estruturas de habitações não duraveis e a falta da segurança de posse.
Enquanto que se vê uma tendência de redução no número e na proporção de habitantes dos bairros na África setentrional, os países da África subsaariana, experimentaram as taxas médias de crescimento anual de 4,53 porcent nas populações dos bairros urbanos.
Esta tendência é devida parcialmente á depressão nas economias de alguns dos países na região, e á alta prevalência do VIH e dos conflítos.
Segundo "O Relatório do Estado das Cidades do Mundo, a ÁFrica do Sul é o único país da África subsaariana que teve sucesso “avançando bem na prestação de serviços básicos aos pobres urbanos, o que se refleta num crescimento baixo e até estável nos últimos 14 anos." Más ainda há mais de oito milhões de sul africanos que faltam a habitação adequada e os serviços básicos.

