POLÍTICA-MALI:: Uma Eleição Presidencial Histórica

BAMAKO, 26/04/2007 – Quando os malianos irão votar nas eleições presidenciais este domingo, participarão numa eleição única: pela primeira vez, uma mulher será um dos candidatos. A Sidibé Aminata Diallo representando o Movimento para a Educação Ambiental e o Desenvolvimento, é professora e pesquisadora especializada na gestão de terra. Ela ensina na Faculdade de Ciências Económicas e Gestão na Universidade de Bamako, o capital de Mali.

“Eu quero desenvolver as políticas que deixam de ser debates teóricas e que tratam dos problemas dos malianos de uma maneira prática e concreta,” disse ela a IPS, notando que embora a degradação ambiental em Mali é muito grave, só tinha tido “marginalmente discutida nos debates eleitorais “.

“A minha motivação vem desta indiferença. O nosso desenvolvimento deve ser baseado nos ecosistemas equilibrados,” acrescentou a Diallo. “Mali terá que fazer as decisões ambientais importantes nos próximos cinco anos, que tomarão em conta a fragilidade do ecosistema dele nas regiões do norte e do sul.”

As prioridades desta candidata presidencial incluem parar a desflorestamento neste país ocidental vasto, noqual as grandes partes – particularmente no norte – já estão deserto. Com o lema de “O Desenvolvimento deve ser sustentado para as gerações atuais e futuras', a Diallo também quer advogar para as políticas que promovem as fontes renováveis de energia, a busca de maneiras alternativas de lidar com a polução urbana – e melhoram as as condições sanitárias.

Esta estratégia não está a ganhar o apoio de todos.

“Ela só quer ser vista, e talvez ganhar um Premio Nobel para a sua defesa do ambiente,” disse Aliou Koné, uma jovem advogada desempregada de Bamako – possivelmente referindo se a política queniana a Wangari Maathai, que ganhou o Premio Nobel da Paz em 2004 para os esforços dela de proteger os direitos humanos e o ambiente.

“Nós queremos as propostas concretas dela sobre…o desemprego e a pobreza. As questões ambientais vêm depois de tudo isto.”

A Diallo pode não ter o apoio da constituência que se considera como dela: as mulheres.

Agora, a Coordenação das Associações e das ONGs da Mulher do Mali (CAFO) está a dar lhe o apoio limitado – isto depois dela se comprometer a promover os direitos da mulher se for eleita.

“Já está na hora de uma mulher aspirar a presidência no Mali,” disse a IPS a Fatim Maïga, a responsável para as questões de género em CAFO, acrescentando que para “as razões simbólicas ” e porque ela aceitou o desafio, a Aminata Diallo merece o apoio das mulheres.

Más a Coulibaly Fanta Kéita, uma outra ativista de CAFO, é scéptico das possibilidades para a Diallo: “A maioria das mulheres malianas, vai votar para o presidente atual, o Amadou Toumani Touré, por causa do que ele fez para as mulheres. Ele introduziu a operação cesárea, as antiretrovirais e o alojamento a preços baixos.”

Umas 10,000 pessoas recebem o tratamento antiretroviral (a página web do Programa Conjunta para o VIH/SIDA calcula que o número de adultos infetados no Mali é cerca de 110,000). Sob o governo de Touré, que espera ser re-eleito para um segundo termo, construiu se a cerca de 3,500 casas a custo baixo.

A Kéita faz parte de um grupo de mulheres que organizaram juntar dinheiro das mulheres para pagar a inscripção de 20,000 dólares para as eleições.

Para além de superar o scépticismo, a Diallo também está a lutar contra a cultura.

“Mali tem uma sociedade partríarquica, e os homens não aceitam as mulheres em posições de liderança e responsabilidade. (Más) basta passar algum tempo para que os atitudes mudam,” disse a IPS a Alhassane Maïga, uma socióloga baseada em Bamako.

“Antes, erá inconcebível mandar as filhas a escola. Más hoje, em Mali as mulheres são direitoras, chefes de negócios, ministros, e até chefes de casas.”

O Ousmane Coulibaly, um politico e o membro da Aliança para a Democracia e o Progresso, disse que “A candidatura da Diallo mostra a maturidade da nossa democracia. Uma presidenta, para mim, é boa coisa.”

“Temos que reconhecer que desde agora as mulheres fazem parte integrante do processo político.”

A Aliança está a apoiar o Touré, embora ele seja um candidato independente.

Oito candidatos participarão na eleição no dia 29 de Abril. Se nenhum deles ganha com uma maioria de votos nesta eleição, realizará se uma segunda no dia 13 de Maio entre os dois candidatos com o maior número de votos na primeira volta de votação

Almahady Cissé

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