Zimbabueano: “Não se pode matar o jornalismo”

JOHANNESBURGO, 03/05/2007 – O Wilf Mbanga um editor e redator zimbabueano e alguns outros repórteres do seu país que fugiram do regime repressivo do Presidente Robert Mugabe comemorarão o Dia Mundial da Liberdade da Imprensa (Maio 3) na Grande Bretanha. Com a situação política e económica no país piora, os esforços do governo de severamente castigar os jornalistas vão aumentado. A lei de Acesso á, Proteção de e Privacidade de Informação (AIPPA) de 2002, que exige que todos os repórteres e as organisações da média se registram com a Comissão para a Média e a Informação (MIC) que é controlada pelo governo, regula a Média no Zimbábue.

Esta lei permite aos oficiais estatais de tomar ação contra as agências da imprensa, como u único diário privado – o ‘Daily News’– que são críticos do governo do Mugabe. O diário ‘Daily News’ foi negado a registração e fechado em 2003.

Para além disso, os jornalistas que trabalham sem a autorização de MIC arriscam a ação legal. Más isto é o menos perigoso dos riscos que correm, como demonstrado pelo rapto e assassino recente do fotógrafo zimbabueano o Edward Chikomba. Um ex trabalhador na emissora estatal, diz se que ele foi batido a morte, e o corpo dele foi deitado fora do capital Harare em março.

O assassino foi ligado a alegação do Chikomba ter dado a média internacional o video mostrando as feridas sustentado pelo líder da oposição o Morgan Tsvangirayi durante a reunião de orações do dia 11 de março, que foi violentamente interrompida pela polícia. As imagens do batido oficial do Movimento para a Mudança Democrática foram vistas por volta do mundo, renovelando o criticismo da situação zimbabueana. Os correspondentes estrangeiros nao são permitidos a entrar no país. Em resposta a estes desafios, o Mbanga começou a publicar e redatar um samanal, 'The Zimbabwean', fora do seu país. Ele falou com o Moyiga Nduru, um jornalista de IPS sobre as dificuldades que enfrenta a divulgar a publicação no Zimbábue.

IPS: De onde é que está a editar?

Wilf Mbanga (WM): Editamos simultáneamente de Lóndres e de Johannesburgo. Desde a introdução da lei AIPPA draconiana em 2002, uns cinco jornais foram fechados, tornando o impossível que operamos do Zimbábue.

Ainda por cima, há uma lista de 27 nomes que me foi mandado que nós publicámos no 'The Zimbabwean'…Há apenas dois jornalistas naquela lista, eu o Gift Phiri, o nosso correspondente no Zimbábue. O restante das pessoas na lista são os líderes políticos e cívicos como o Morgan Tsvangirai e o Lovemore Madhuku. Eu acho que esta lista foi divulgada para assustar nos.

IPS: Quantos jornais distribuem?

WM: Começámos com 5,000 em 2005 e agora estamos a distribuir 40,000 por semana. Se tinhamos mais dinheiro podiamos distribuir mais jornais. O maior problema é o de transporte.…O interessante é que há também uma grande demanda para os nossos jornais de segunda mão. Por isso as pessoas lêem o jornal e depois o revendem.

IPS: Como é que o jornal vai ao Zimbábue?

WM: Transportamos os jornais usando o transporte rodoviário; porque o aéreo é muito caro. Uma vez no Zimbábue, o jornal é vendido nas ruas de Harare e Bulawayo.

IPS: Isto implica uma certa tolerância da liberdade de imprensa no Zimbábue, não?

WM: Não se pode dizer que há liberdade no Zimbábue… O governo monopoliza a media:possuindo dois diários e quatro semanais. A única estação de TV e as emissoras pertencem ao governo, que não quer dar permites para a emissora e a televisão privada. O governo até confiscou os rádios nas zonas rurais para que as pessoas não oiçam as notícias estrangeiras.

IPS: Os oficiais estatais interferem com o seu jornal de qualquer maneira?

WM: Até agora não, más estão a intimidar os nossos vendedores. Recentemente um ministro foi visto comprando uma cópia do 'The Zimbabwean' , lendo o (rindo)…Há um desejo incrível para os jornais no Zimbábue. Eu tenho as pessoas no Zimbábue que me mandam histórias e fotografias cada vez que se passa alguma coisa. Nem são todos jornalistas.

IPS: Recentemente, dizia se que o Gift Phiri tinha sido raptado e torturado pelas agências estatais da segurança. Qual é a condição atual dele?

WM: Já há muito tempo que o Gift faz parte da lista dos jornalistas que foram detidos e torturados. Ele está muito melhor agora, más eles quebraram no os dedos, e assim é difícil para ele escrever. Também bateram-no severamente na planta dos pés e nas nádegas. Por isso durante alguns dias ele não pude sentar nem ficar á pé. Ele está a ter as consultorias psicológicas; ele acorda no meio da noite gritando que vêm apanhá-lo …Mais de 100 jornalistas têm sido presos, detidos e torturados no Zimbábue desde 2002. Ninguém foi acusado (por estes crimes).

IPS: Quantos jornalistas ainda ficam no Zimbábue?

WM: Eu não tenho o número exato, más quase todo o pessoal do diário 'Daily News' saiu do país. Ele foi o maior empregador de jornalistas na média privada.

IPS: Como é que veja o futuro do jornalismo no Zimbábue?

WM: Não se pode matar o jornalismo. Temos os jornalistas jovens com muito talento que querem escrever.

IPS: Diz se que o seu jornal recebe o patrocínio da Grande Bretanha, que o Mugabe acusa de buscar desestabilizar o Zimbábue. Qual é sua reação a isto? WM: Isto não é verdade. Nós procuramos a patrocínio de todos os nossos amigos. Conseguimos ajuda de organizações como a Open Society (na África do Sul), Free Voice e Press Now nos Países Baixos. Não recebimos ajuda nenhuma duma organização inglesa. Nós temos atacado o governo da Grande Bretanha no nosso jornal. Não estamos de acordo com o governo deste país no que diz respeito a questão dos zimbabueanos que buscam o asilo político na Grande Bretanha.

(Más) não nós deportaram da Grande Bretanha porque os criticamos. Não nos acusam de ser os títeres no Mugabe ou do Zimbábue.

Correspondentes da IPS

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