Nações Unidas: Aumentam os assassinatos de socorristas

Nações Unidas, 26/06/2007 – A Organização das Nações Unidas está preocupada com o crescente número de trabalhadores humanitários e voluntários atacados ou assassinados enquanto realizam trabalhos humanitários em zonas de guerra em todo o mundo. A lista inclui 24 socorristas no Sri Lanka, dois voluntários da Cruz Vermelha no Líbano, dois integrantes da missão da ONU na faixa de Gaza, um membro da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras na República Centro-Áfricana, e outro da organização católica Caritas na região sudanesa de Darfur. Todos foram assassinados enquanto realizavam tarefas humanitárias.

“Vários milhares de civis foram assassinados, feridos, mutilados, atacados, humilhados, ignorados e tratados como se fossem menos do que humanos”, disse John Holms, coordenador de Ajudas de Emergência da ONU. Na segunda semana deste mês, 18 crianças morreram no Afeganistão em vários ataques de rebeldes talibãs ou forças militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estacionadas nesse país. A missão da ONU o Iraque estimou que durante 2006 uma média de 94 civis morreram diariamente de forma violenta, por causa de ações militares dos grupos em conflito.

Somente nos primeiros três meses deste ano, mais de 700 civis morreram e mais de 1.200 foram feridos em ataques e atentados no Iraque. Em meados deste mês, uma bomba colocada em uma mesquita de Bagdá deixou mais de 200 civis mortos ou feridos. “Esta tendência em países como Afeganistão, Líbano e Somália é profundamente preocupante”, afirmou Holmes. Ao admitir as próprias limitações das Nações Unidas. Holmes informou ao Conselho de Segurança que “é difícil não concluir que, apesar de todo nosso apoio, os civis precisam de proteção, e apesar dos recursos destinados a esse trabalho não estamos conseguindo melhorar, em tempo e forma, a situação das vítimas”.

Holmes, também subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, regressou este mês de uma viagem por várias zonas em conflito que incluiu Chade, República Centro-africana, Somália, Sudão e norte de Uganda. Em cada um desses países, como em muitos outros, “vi como centenas de milhares de civis foram tirados de sua vida comum pelos efeitos do conflito. Ficaram abandonados, sem que seu destino tenha alguma conseqüência aparente para os que combatem à sua volta”, acrescentou Holmes.

O assassinato de pessoal humanitário, ou negar-lhe arbitrariamente acesso às áreas em conflito, constitui uma violação das leis internacionais. “Também ameaça a sobrevivência de centenas de milhares de pessoas vulneráveis”, afirmou o subsecretário-geral. Devido à preocupação pelos assassinatos de membros de organizações humanitárias, o Conselho de Segurança realizou no dia 22 deste mês um debate aberto sobre a proteção de civis em conflitos armados.

Ao falar em nome da União Européia, o embaixador da Alemanha na ONU, Michael von Ungern-Sternberg, disse que embora o número de conflitos tenha diminuído desde 1989, a quantidade de civis que sofrem suas conseqüências segue em constante aumento. Além disso, mencionou os casos de abusos e exploração sexual em zonas de guerra e o recrutamento ilegal de crianças. O crescente número de jornalistas assassinados em áreas de conflito, incluindo o Iraque, também “é extremamente perturbador”, afirmou o diplomata.

Mais de 150 chefes de Estado e de governo decidiram na cúpula mundial de Nova York de 2005 estabelecer a responsabilidade das Nações Unidas na proteção das populações contra o genocídio, os crimes de guerra, a limpeza étnica e os crimes contra a humanidade. O embaixador alemão lembrou aos Estados-membros que o direito humanitário internacional obriga todas as partes em conflito a permitir que o pessoal de socorro tenha completo acesso, se impedimentos, a todos os civis que precisam de ajuda.

No entanto, os combates entre facções palestinas rivais na faixa de Gaze a na Cisjordânia geraram uma crise humanitária na região. David Shearer, reponsavel pelo Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários nos territórios palestinos ocupados, disse aos jornalistas que a situação é “extremamente seria”. A Cruz Vermelha Internacional e o Programa Mundial de Alimentos puderam entregar comida e remédios em Gaza, disse Sheare, mas, cerca de 600 pessoas, na maioria civis, que precisavam de tratamento contra câncer e outros cuidados não disponíveis em Gaza não puderam deixar a área. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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