População: A chave está nas cidades pequenas

San Salvador, 28/06/2007 – Mais da metade da população mundial viverá em cidades no próximo ano. Os governos devem adequar agora suas estratégias para garantir que esse crescimento urbano tenha um impacto positivo, alerta o informe sobre o Estado da População Mundial 2007. Ao contrário do que se poderia imaginar, as megacidades, de 10 milhões de habitantes, ou mais, crescem mais lentamente, e inclusive algumas delas perdem mais população do que ganham. A explosão demográfica nas próximas décadas se registrara nas pequenas cidades, de até 500 mil habitantes, onda já vive mais da metade da população urbana do mundo.

Incentivar as atividades econômicas dos pobres, utilizar satélites e dados demográficos para incentivar ou desestimular futuros assentamentos, aplicar critérios ambientais para o traçado de ruas, sistemas de transportes e serviços de saneamento são algumas recomendações do informe divulgado nesta quarta-feira em várias capitais do planeta. Para o sociólogo George Martine, pesquisador e autor principal do informe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a urbanização acelerada é um fenômeno inevitável e não necessariamente negativo que oferece oportunidades que se deve saber aproveitar.

“É necessário redefinir e enfatizar a capacidade de prever e agir frente ao futuro”, disse à IPS este especialista canadense durante um painel para jornalistas organizado pelo UNFPA na capital de El Salvador, na qual foi divulgado o documento. O informe diz que em 2008 mais da metade da população mundial – 3,3 bilhões de pessoas – viverá em zonas urbanas. Essa quantidade aumentará para 4,9 bilhões de seres humanos em 2030, dos quais 80% se concentrarão em países em desenvolvimento e uma grande parte estará formada por pessoas pobres.

De acordo com o estudo, a maior parte do crescimento urbano será conseqüência do aumento natural ou vegetativo e não da migração, o que torna inoperantes os controles adotados por alguns países para desestimular o êxodo do campo para as áreas urbanas. Para os especialistas, não é difícil imaginar com será a vida nas cidades pequenas com o dobro, ou mais, de habitantes, sem as previsões em matéria de serviços, habitação, espaços públicos e outros. “A situação será bastante parecida ao caos que já vivemos neste momento, onde o crescimento da população urbana está ultrapassando a capacidade da infra-estrutura existente”, disse à IPS Arie Hoekman, representante do UNFPA no México e diretor para Cuba e Republica Dominicana.

Por sua vez, Martine insistiu que é imprescindível agir para prever as necessidades, especialmente dos pobres que, do contrário, acabarão vivendo “nos piores lugares possíveis” e sem acesso ao que a cidade pode oferecer, condicionado uma maior exclusão social. “A população continuará crescendo, e a incapacidade dos políticos em reconhecer isso e de atuar de uma forma mais apropriada e a longo prazo para fazer frente ao problema de maneira mais eficaz é o que nos preocupa”, afirmou o especialista.

O informe destaca que as decisões que foram adotadas hoje nas cidades de todo o mundo em desenvolvimento formarão não apenas seus próprios destinos, mas também o futuro social e ambiental da humanidade. “O próximo milênio urbano pode tornar mais manejável a pobreza, a desigualdade e a degradação do meio ambiente, ou pode agravá-las exponencialmente. Deste ponto de vista, todas as medidas que forem adotadas para abordar os desafios e as oportunidades de transição urbana devem estar imbuídos de um sentido de urgência”, acrescenta o documento.

Esses enfoques “deveriam aproveitar, em lugar de ignorar, as atividades dos pobres, tanto as iniciativas individuais quanto as de suas organizações, para obter moradias e meios de vida mais seguros, saudáveis e benéficos nos centros urbanos”, diz o informe. Além disso, as instituições internacionais podem indicar uma maneira melhor para reduzir as taxas de crescimento urbano, que dê aos encarregados de formular políticas mais tempo para abordar os problemas urbanos. Atualmente, nos países em desenvolvimento o crescimento natural da população “pode ser abordado melhor por meio da redução da pobreza, da promoção dos direitos da mulher e com melhores serviços de saúde reprodutiva”, afirma o documento.

O UNFPA considera que os responsáveis por políticas públicas necessitam aceitar o crescimento urbano como um possível aliado nas tarefas de desenvolvimento, e assinala que as cidades estão em melhores condições de oferecer educação e serviços de saúde, entre outros, devido às economias de escala e proximidade. Mas essas opções nem sempre se materializam devido à deficiente governabilidade e às decisões impulsionadas por atitudes negativas diante da urbanização e do crescimento urbano.

“A competição econômica está cada vez mais globalizada e as cidades estão em melhores condições de aproveitar as oportunidades da globalização e de gerar empregos e renda para um número maior de pessoas”, afirma o informe ao enumerar as vantagens que oferecem as zonas urbanas. O crescimento urbano, em sua maior parte, ocorre em cidades de tamanho médio e pequeno, que têm maior flexibilidade para enfrentar o rápido crescimento, mas possuem menos recursos. “Assim, é necessário insistir mais em ajudar essas cidades a crescerem de forma sustentável”, recomenda o documento.

Entre as medidas de política para reduzir o custo social e ambiental da expansão urbana o informe diz que dados demográficos e imagens obtidas via satélite podem ajudar os encarregados de formular políticas a determinar quais são as zonas onde se deve promover ou evitar os futuros assentamentos. Além disso, deve-se orientar com critérios ambientais e demográficos o traçado das ruas, transporte público, abastecimento de energia e água, já que isso contribui para determinar a direção em que crescem as cidades.

O documento também estima que a informação sobre localização, gravidade e freqüência dos riscos ambientais é um instrumento básico de planejamento para qualquer cidade e recorda que os assentamentos urbanos informais são os mais vulneráveis diante de eventos como inundações, terremotos e deslizamentos de terra. O informe aconselha, ainda, planejamento para criar parques e vias para pedestres, porque são espaços abertos que contribuem para o bem-estar individual e o bom estado físico das pessoas, além de “poderem promover a igualdade em importantes aspectos da vida urbana”. (IPS/Envolverde)

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

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