BIODIVERSIDADE: As espécies na Internet

Toronto, 03/03/2008 – O projeto Enciclopédia da Vida pretende colocar na Internet informações sobre as 1,8 milhões de espécies do planeta, e na semana passa já divulgou os dados sobre 30 mil, que incluem seu habitat, ciclo de vida e fotografias.

 - Morgue File

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O diretor-executivo da enciclopédia da Vida (EOL), James Edward, disse que o serviço oferecerá informação científica que poderá satisfazer tanto a curiosidade de um aluno de escola primária quanto as necessidades de um pesquisador universitário. O projeto tem sua sede no Instituto Smithsoniano de Washington.

A página da Internet dedicada a cada espécie permitirá ao visitante escolher a quantidade de informação que deseja. Há à sua disposição uma ampla gama de detalhes, incluindo links com mais de um milhão de sites com dados científicos que normalmente apenas estão disponíveis nos 10 grandes museus de história natural do mundo industrializado. “Agora, qualquer pessoa pode consultá-los gratuitamente, sem importar onde se encontra”, disse Edward. No momento, qualquer pessoa que leia inglês. “Temos a esperança de contar com traduções para outros idiomas”, acrescentou.

Em pouco tempo haverá edições regionais, EOL Colômbia ou EOL Holanda, com informação em espanhol e holandês preparada por especialistas locais. Ao contrário das enciclopédias tradicionais, a EOL será interativa e permanentemente atualizada. Tem o potencial de se converter em uma poderosa ferramenta de pesquisa. Se o público participar, poderá servir para rastrear a resposta das espécies à mudança climática. Em todo o mundo, seus habitats estão sendo alterados de maneira drástica, forçando as aves a migrarem de forma antecipada ou se tornando muito secos ou quentes para certas plantas. Não existe possibilidade de a comunidade científica ter condições de seguir o ritmo dessas mudanças.

A única forma é através de informação fornecida por pessoas que não são cientistas e que podem consultar a EOL para verificar possíveis alterações. “Se alguém no Equador encontra uma rã que jamais vira antes, pode consultar a enciclopédia para saber se é local ou de um país vizinho, ou, ainda, se é uma nova espécie”, disse o diretor do Museu de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard e presidente do comitê de direção da EOL, James Hanken. Muitas espécies se extinguem antes que possam ser identificadas, mas com a enciclopédia será mais fácil registrá-las, acrescentou

Dentro de poucos meses, os especialistas estarão felizes em receber fotos, vídeos ou textos com as observações do público. Serão verificadas e, se tiverem dados úteis, incorporadas à EOL. Os responsáveis pela enciclopédia querem que os leitores os informem sobre o que pensam da EOL tal como se encontra agora. São bem-vindas as idéias e sugestões sobre todos seus aspectos, desde a estrutura da pagina ate a cor da tipografia. A enciclopédia permitirá identificar padrões não vistos até o momento e servirá para determinar lacunas no conhecimento.

Trata-se de uma ferramenta que possibilitará traçar um mapa da distribuição de vetores de doenças, como corvos e mosquitos. O tempo de vida das espécies relacionadas poderá ser comparado para entender o que determina a longevidade. Devido à misteriosa redução na população de abelhas, a EOL pode identificar polinizadores alternativos. Alem disso, ajudará a revolucionar o ensino e aprendizado das ciências da vida, algo que é necessário com urgência.

Uma compreensão melhor da biodiversidade é fundamental para a sobrevivência dos humanos, que frequentemente ignoram os serviços vitais prestados por outras espécies. Sem plantas não haveria oxigênio para respirar, nem comida. As árvores limpam a água e o ar, regulam a temperatura e previnem inundações, entre outras coisas. Porém, o mundo está à beira de uma crise de extinções: a cada três horas desaparece uma espécie e a tendência está se acelerando. Completar a EOL demorará uma década e talvez entre 40 mil e 50 mil espécies terão se extinguido antes que o trabalho esteja terminado. Ate 30% das espécies do planeta poderão desaparecer ate 2050, devido à atividade humana.

Os cientistas ignoram quantas espécies são “suficientes” para manter ecossistemas vitais para os humanos. Pesquisas demosntraram que se uma floresta perde muitas espécies únicas, o número de plantas pode cair pela metade. Algumas espécies são insubstituíveis, o problema é que se ignora quais são. “Temos a esperança de que a EOL ajude as pessoas a desenvolverem maior apreço e compreensão da natureza”, afirmou Hanken. (IPS/Envolverde)

Stephen Leahy

Stephen Leahy is the lead international science and environment correspondent at IPS, where he writes about climate change, energy, water, biodiversity, development and native peoples. Based in Uxbridge, Canada, near Toronto, Steve has covered environmental issues for nearly two decades for publications around the world. He is a professional member of the International Federation of Journalists, the Society of Environmental Journalists and the International League of Conservation Writers. He also pioneered Community Supported Environmental Journalism to ensure important environmental issues continue to be covered.

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