EUA: Hillary resiste em aceitar a derrota

Washington, 09/05/2008 – A longa batalha pela candidatura à presidência dos Estados Unidos pelo opositor Partido Democrata aproxima-se do final, com o senador Barack Obama tendo uma clara vantagem sobre a senadora Hillary Rodham Clinton. Faltando apenas seis primárias (eleições internas e assembléias partidárias em meia centena de Estados), Obama garantiu o voto de 1.846 delegados na Convenção do Partido Democrata, enquanto Hillary conseguiu 1.696. São necessários 2.025 votos para assegurar uma candidatura.

“Agora sabemos quem será o candidato democrata. É indiscutível”, disse o chefe do escritório em Washington da rede de televisão NBC News, Tim Russert, na manhã de quarta-feira após uma madrugada de escrutínios. Especialistas da televisão fizeram avaliações semelhantes. Obama havia ganho nas primarias da Carolina do Norte por 14% de vantagem, na terça-feira. Hillary acreditava vencer por ampla margem no Estado de Indiana, mas superou seu rival em apenas 2%.

A senadora pelo Estado de Nova York e mulher do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) pretende se manter na disputa, embora reste muito pouco tempo e muitos poucos delegados. Mas a vantagem obtida até agora por Obama, a maior desde o inicio das primárias, pode ficar inalcançável para ela. Os simpatizantes de Hillary estão em uma descida, com pouco a fazer além de recorrer aos superdelegados, um grupo de funcionários eleitos e dirigentes de elite do Partido Democrata que não estão presos às decisões dos eleitores nas primárias.

Mas, mesmo assim seria uma tarefa titânica. A senadora acreditava que o resultado das primárias em Indiana e Carolina do Norte a mostraria como a candidata mais forte, em razão de suas vitórias em grandes Estados. “A senadora Hillary queria e necessitava de duas coisas ontem à noite (de terça-feira): uma vitória decisiva em Indiana e uma demonstração de força na Carolina do Norte’, disse o colunista do The New York Times Larry Rohter no rádio, na quarta-feira. “Ocorreu o contrário. O senador Obama conseguiu uma vitória decisiva na Carolina do Norte e esteve muito, muito perto do empate em Indiana. Isso prejudica Hillary”, acrescentou.

A rede de televisão CNN calculou que dos 500 superdelegados já definidos, Hillary tem vantagem de 10 sobre Obama. Cerca de 220 ainda não se decidiram. Nas duas ultimas semanas o senador por Illinois duplicou o número de superdelegados recrutados pela sua rival: 24 a 12. Joe Andrews, presidente do Comitê Nacional Democrata, que apoiou Hillary no começo da disputa, aderiu a Obama. Os superdelegados podem mudar de opinião a qualquer momento, o que pode ser problemático para a senadora.

O ex-senador e ex-candidato presidencial George McGovern também mudou seu pronunciamento inicial a favor de Obama. Mcgovern não é superdelegado, mas seu argumento pode ser aplicado a eles. “Devemos nos concentrar na unificação de um partido capaz de ocupar a Casa Branca”, afirmou. “Hillary fez uma campanha valente. Obama também, e me parece que ele já ganhou a indicação. Minha própria consciência me diz que é o momento de mudar, em beneficio dos interesses de Hillary, dos do ex-presidente Clinton, dos de Obama e os do país”, acrescentou.

De fato, muitos democratas temem que seguir na batalha pela indicação pode dividir o eleitorado do partido e enfraquecê-lo na hora de competir com o governante Partido Republicano, que já elegeu seu candidato, o senador John McCain. As pesquisas de boca de urna feitas terça-feira já demonstraram que boa parte dos que apóiam um dos candidatos democratas não votaria em seu adversário em eleições gerais.

O candidato democrata das eleições passadas, John Kerry, disse que as pesquisas feitas em momentos de grande fervor das primárias não permitem prever o que acontecerá uma vez o partido tenha seu candidato. “Tendo Barack garantido a indicação, creio que o partido estará totalmente unificado. O ex-presidente Clinton, Hillary Clinton e a grande maioria de seus simpatizantes se dedicarão a vencer as eleições porque todos entendem que se trata disso”, afirmou Kerry.

Mas, do outro lado da trincheira democrata os colaboradores de Hillary advertem que os problemas de credibilidade sofridos por Obama no mês passado não serão nada em comparação com a artilharia pesada que o Partido Republicano está preparando para ele. Na Pensilvânia e em Ohio o senador negro teve dificuldades para conseguir o voto do eleitorado branco de classe media, que é chave nesses Estados. (IPS/Envolverde )

Ali Gharib

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