DIREITOS HUMANOS: Faça o que dizem os EUA, não o que fazem

Londres, 02/06/2008 – A Anistia Internacional acusou ontem os Estados Unidos de fixar os critérios mundiais sobre direitos humanos, mas não cumpri-los. “Como é o país mais poderoso, os Estados Unidos estabelecem os padrões para o comportamento dos governos”, mas se “distinguiu nos últimos anos por um desafio ao direito internacional”, diz o informe anual da organização. Como no ano passado, o trabalho condena especialmente as detenções na base militar norte-americana de Guantânamo, em Cuba, afirmando que centenas de pessoas ali permanecem prisioneiras.

O informe também critica a situação interna nos Estados Unidos. “Os soldados que se negam a lutar no Iraque por razões de consciência são presos. Os prisioneiros continuam sofrendo maus-tratos nas mãos de policiais nas prisões. Dezenas de pessoas morrem pelo uso de armas de choque elétrico por parte da polícia”, acrescenta o documento. O informe recopila dados sobre a situação no ano passado em vários países. A organização deu especial destaque a Estados Unidos, China, Rússia e União Européia. A Anistia exigiu que a China cumpra suas promessas sobre direitos humanos feitas durante sua preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim este ano, e que permita a liberdade de expressão e de imprensa. Também pediu ao regime comunista que ponha fim ao seu programa de trabalho forçado para presos.

Por outro lado, cobrou de Washington o fechamento da prisão de Guantânamo e todos os centros secretos de detenção, que julgue os prisioneiros sob critérios justos ou os liberte. Além disso, exigiu do governo de George W. Bush que rechace de forma inequívoca o uso da tortura. Sobre a Rússia, a Anistia diz que este país deve mostrar maior tolerância com a distensão política e não permitir a impunidade na província separatista da Chechênia.

Por fim, sobre a União Européia, diz que o bloco tem de investigar a cumplicidade de seus Estados-membros no mecanismo denominado “entregas extraordinárias” (extraordinary renditions), empregado por Washington para capturar suspeitos de terrorismo e transferi-los, sem passar pelos tribunais, a terceiros países onde, em geral, são torturados, segundo ativistas. Além disso, a organização cobrou do bloco europeu a adoção interna das mesmas exigências que faz a outros países. “Os mais poderosos devem liderar com o exemplo”, disse a secretária-geral da Anistia, Irene Khan, durante a apresentação do informe.

O trabalho também chama a atenção para outras regiões. “Os pontos de ignição em direitos humanos, que são a região de Darfur, no Sudão; Zimbábue;, Gaza e Myanmmar (Birmânia), requerem uma ação imediata”, disse Khan. O informe da Anistia assinala que 60 anos depois que a Organização das Nações Unidas ter adotado a Declaração Universal de Direitos Humanos, em pelo menos 81 países se continua torturando, em 54 são realizados processos legais injustos e em 77 não se permite à população se expressar livremente.

O informe destaca as seguintes tendências em 2007: o ataque contra civis por parte de grupos armados e forças do governo, a constante violência contra as mulheres, o uso da tortura como método, a repressão de toda dissensão, as agressões contra jornalistas e ativistas, a negação dos direitos econômicos e sociais e a evasão da responsabilidade corporativa. Grande parte do trabalho da Anistia continua sendo feito, como antes, com base em informação de jornais e outros informes, particularmente quando se trata da China.

Com base em informes públicos, a Anistia Internacional estima que “pelo menos 470 pessoas foram executadas e 1.860 condenadas à morte no ano passado (na China), embora se acredite que os números reais sejam muito mais altos”, disse a organização. A parte do informe referente ao Iraque expõe as limitações que a organização tem para investigar in loco. “Milhares de civis, incluindo meninos e meninas, morreram ou ficaram feridos em meio à contínua violência sectária. Todas as partes envolvidas nos combates cometeram graves violações dos direitos humanos, sendo que algumas deles chegaram a ser crimes de guerra contra a humanidade”, diz o texto.

Quanto ao Paquistão, o informe também critica os Estados Unidos por terem apoiado o presidente Pervez Musharraf. “A falsidade do chamado à liberdade e à democracia feita pelo governo norte-americano ficou evidente com seu contínuo apoio ao presidente Pervez Musharraf, que prendeu milhares de advogados, jornalistas, defensores dos direitos humanos e ativistas políticos”, disse a Anistia. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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