POLITICA: Em Bush desconfiamos

Washington, 18/06/2008 – Enquanto historiadores debatem se George W. Bush foi o pior presidente na história dos Estados Unidos, parece haver consenso de que ele é o líder mundial que inspira menos confiança. Dois em cada três entrevistados em 20 nações cujas populações combinadas representam 60% dos habitantes do planeta disseram “não ter” ou “não ter muita” confiança de que Bush “faz o certo nos assuntos internacionais”, de longe a maior porcentagem negativa entre os oito líderes mundiais incluídos em um estudo divulgado esta semana pelo WorldPublicOpinion.org (WPO).

A falta de confiança na liderança de Bush é particularmente forte no Oriente Médio, na América Latina e entre os tradicionais aliados de Washington na Europa ocidental, incluído duas das nações visitadas pelo presidente norte-americano em sua viagem pela “Velha Europa” na semana passada. Na Grã-Bretanha a falta de confiança é de 77%, e na França chega a 85%. De fato, em 16 dos países pesquisados, excluindo os Estados Unidos, maiorias ou pluralidades de entrevistados apresentam escassa confiança em Bush. Apenas duas nações, Nigéria e Índia, lhe deram boa pontuação, enquanto as opiniões se dividiram na Tailândia.

Dos líderes mundiais, apenas o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, tinha uma imagem negativa em mais países do que Bush. Uma pluralidade de 37% dos consultados na China disseram ter “muita” ou “certa” confiança na liderança do mandatário paquistanês, embora seu índice negativo, de 54%, não seja tão baixo quanto o de seu colega norte-americano. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, vem em seguida com 52%. Mas, entrevistados na China, Índia e Indonésia disseram ter “muita” ou “pouca” confiança na forma como lida com a política internacional.

A pesquisa, feita entre janeiro e março, foi supervisionada pelo Programa sobre Atitudes em Política Internacional, da Universidade de Maryland (EUA), associada com a WPO. Os 20paises estudados foram Argentina, Estados Unidos e México, na América; Espanha, França, Grã-Bretanha, Rússia e Ucrânia, na Europa; Azerbaijão, Egito, Irã, Jordânia, Palestina e Turquia, no Oriente Médio; Nigéria, na África, e China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia e Tailândia na Ásia.

Nenhum líder sobre o qual se pesquisou ganhou a confiança da maioria ou de grande parte dos entrevistados em mais da metade dos países. Os líderes escolhidos para o estudo foram, além de Bush, Musharraf e Ahmadinejad, o presidente chinês, Hu Jintao; o russo Vladimir Putin; o francês Nicolas Sarkozy; o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon. De todos, Ban recebeu mais opiniões positivas do que negativas em nove nações, três a mais do que o que vem a seguir, Brown, que teve respostas favoráveis em seis países. Mas, uma média de apenas 45% de todos os consultados disse ter “muita” ou “alguma” confiança em Ban, contra 38% dos que disseram “nenhuma” ou “não muita”. Entretanto, o chefe da ONU recebeu o melhor índice entre os líderes.

“Enquanto a desconfiança mundial em George W. Bush criou um vazio de liderança mundial, não surgiu nenhum líder alternativo para preenchê-lo”, disse o diretor da WPO, Steven Kull. “Jintao e Putin são populares em algumas nações, porém, os que desconfiam deles são mais dos que os que confiam. Além disso, as nações onde existe esta confiança não estão organizadas em nenhum grupo que tenha o potencial de ser um bloco significativo”, acrescentou. As conclusões do estudo coincidem com as de outra importante pesquisa internacional em24 países, incluindo 15 que também foram cobertos pelaWPO, realizada há apenas uma semana pelo Projeto de Atitudes Globais, do Centro de Estudos Pew, com sede nos Estados Unidos.

Esta pesquisa concluiu que, pela primeira vez desde que Bush assumiu a presidência, as atitudes em relação aos que melhoraram modestamente em 2007, mas as opiniões negativas sobre o mandatário continuaram sendo fortes, especialmente na Europa ocidental, América Latina e Oriente Médio. Em apenas três dos 24 países – Tanzânia (que Bush visitou apenas dois meses antes da pesquisa), Nigéria e Índia – as maiorias disseram ter “muita” ou “um pouco” de confiança de que Bush é capaz de lidar corretamente com os assuntos internacionais.

De fato, o diretor da pesquisa do PEW, Andrew Kohut, explicou aos jornalistas que a melhora na imagem de Washington parecia se dever mais a uma antecipação do fim do governo Bush e à conseqüente chegada de outro presidente à Casa Branca em janeiro próximo do que a qualquer outro fator. A pesquisa feita em abril concluiu que uma significativa maioria de entrevistados que disseram estar prestando “alguma” atenção às eleições norte-americanas, em todos menos dois países (Estados Unidos e Jordânia) dos 24 estudados mostraram mais confiança no candidato de oposição pelo Partido Democrata, Barack Obama, do que em seu rival pelo Partido Republicano, John McCain. “É provável que McCain seja associado ao presidente Bush”, disse Kohut quando lhe pediram para explicar este fenômeno.

No mês passado, Bush, que insistentemente afirmou que a história irá corroborar suas decisões mais polêmicas, em particular a de invadir o Iraque, atingiu os mais altos níveis de desaprovação interna na história do Instituto Gallup, cujos primeiros registros datam da década de 30. Em uma pesquisa informal com mais de cem historiadores norte-americanos realizada no começo da primavera no hemisfério norte, apenas dois afirmaram que a administração Bush será considerada um “êxito”, enquanto uma forte maioria, de dois em cada três, afirmaram que será considerada “a pior presidência de todas”. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *