México, 07/07/2009 – Ministros e delegados de 43 países e da Organizações Mundial da Saúde começaram ontem, na cidade mexicana de Cancun, a buscar uma estratégia comum para enfrentar a gripo A/H1N1, que se propaga intensamente em algumas regiões do planeta. “Devemos revisar nossa historia, o que fizemos e como fizemos, o que não fizemos e por que não fizemos, reconhecendo todos de uma maneira madura e objetiva as ações e os resultados obtidos”, disse o ministro mexicano da Saúde, Angel Córdova, no primeiro de dois dias da reunião de alto nível “Lições aprendidas com a gripo A/H1N1”.
Esta enfermidade humana, conhecida equivocadamente como gripo suína e que surgiu em abril no México, já causou 337 mortes e mais de 80 mil casos de contágio em 121 países, segundo os últimos dados da OMS. Os Estados Unidos lideram esta lista, com 21.449 casos, enquanto o México registrou 10.984 infecções e 119 mortes. Mas nos últimos dias a doença, que a OMS declarou pandemia no último dia 11, se estendeu fortemente no Chile, na Argentina e no Uruguai, potencializada pelo inverno no hemisfério sul, e na Espanha já fez sua primeira vítima mortal, uma mulher grávida de origem marroquina.
Nesse sentido, Margaret Chan, diretora da OMS, qualificou o estado da pandemia de “gravidade moderada” e disse que “o importante é manter vigilância e agora com muito cuidados temos de ver o que acontecerá no inverno austral. O panorama clinico resguarda”. A “luta contra esta gripe é um desafio global que exige uma resposta global”, disse, por sua vez, o presidente do México, Felipe Calderón, na abertura da reunião, que acontece no balneário de Cancun a 1.650 quilômetros da capital mexicana.
Durante a conferência, os participantes abordarão temas como o estado da pandemia; vigilância epidemiológica em pessoas e animais; capacidade hospitalar para enfrentar a doença e as regulamentações sanitárias internacionais. Mas as autoridades e os especialistas enfrentam um panorama científico incerto, pois se desconhece a origem do vírus, o que pode ser obstáculo aos métodos para enfrentá-lo. Além disso, o agente patogênico possui alta capacidade de mutação, o que o torna resistente aos medicamentos.
“O que se sabe agora é o mesmo que se sabia quando apareceu, é um vírus que procede de uma recombinação das gripes humana, suína e do frango”, disse à IPS Silvia Ribeiro, porta-voz na América Latina do não-governamental Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração, com sede o Canadá. “Mas, há alguns temas que continuam sem resposta, como o motivo para haver no México tanta gente que morre e uma indicação clara que a gripo suína se relaciona com a criação industrial de animais”, acrescentou.
O governo mexicano gastou US$ 85 milhões em remédios e outros materiais para combater o que então ainda era uma epidemia, segundo dados oficiais. Uma das reclamações surgidas durante o encontro internacional se refere ao acesso dos países mais afetados a uma eventual vacina que, segundo a comunidade científica, estaria pronta no final deste ano. “O mundo espera a vacina contra a gripo A/H1N1 como um insumo social necessário para manter a saúde global. Continuaremos promovendo ações a favor da igualdade na disponibilidade racional da vacina e maior cobertura possível”, disse Córdova. O México entregou à OMS os dados clínicos e científicos além de cepas do vírus A/H1N1 para a busca de uma vacina.
Mas as nações em desenvolvimento não receberão caridade dos laboratórios multinacionais, que descartam doações do futuro remédio e que empreenderam um passo acelerado em pós-vacina. “A vacina é necessária, mas não é algo preventivo. Além disso, é um negócio milionário dos grandes laboratórios”, criticou Silvia Ribeiro. Para o tratamento da enfermidade, as nações afetadas compram milhões de doses de oseltamivir, conhecido comercialmente com Tamiflu, e Zanamivir. Mas dois pacientes, na Dinamarca e no Japão, se mostraram resistentes ao primeiro, um indicio da alta capacidade de mutação do vírus.
A previsão é de que na América do Norte ocorra um ressurgimento da doença nos meses de novembro, dezembro e janeiro, época do inverno. Por isso, Leona Aglukkaq, ministra da Saúde do Canadá, pediu para que se chegue a uma acordo na reunião extraordinária para enfrentar “a incerteza do que poderemos ter pela frente em outubro”, quando desata a incidência da gripe nessa região. IPS/Envolverde

