Estocolmo, 13/01/2010 – A Suécia promete manter seu atual nível de ajuda ao desenvolvimento para as nações mais pobres, cerca de 1% de seu produto interno bruto, apesar da crise financeira mundial.
A ajuda oficial ao desenvolvimento da Suécia para o Sul cresceu de US$ 4,3 bilhões em 2007 para US$ 4,7 bilhões em 2008. É provável que essa quantia tenha se mantido no ano passado. Os últimos dados serão divulgados no final desse ano. A ministra disse que a principal atenção de seu governo é para a ajuda humanitária, especialmente para a África, onde a necessidade é maior. “Portanto, nossa prioridade também é a ajuda através das organizações multilaterais, porque, no geral, têm grandes possibilidades de alcançar os mais vulneráveis”, disse Carlsson em entrevista à IPS.
A Suécia, que até o mês passado ocupou a presidencia da União Europeia, aprovou um orçamento para 2010 que busca moderar a queda do emprego, defender serviços sociais básicos, estimular o crescimento dos negócios e proteger o clima.
IPS – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, queixou-se de que a crise financeira mundial impede que alguns dos países mais pobres alcancem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, incluindo a redução da pobreza, da fome e da mortalidade materna até 2015. Que papel tem a UE para retificar esta situação?
Gunila Carlsson – A comunidade mundial de doadores compartilha a responsabilidade para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A UE também é o maior doador e, portanto, tem importante papel a desempenhar. Isto também foi destacado na reunião de ministros de Desenvolvimento do bloco, recentemente em Bruxelas. Então, a questão é que os países membros realmente deveriam estabelecer prazos para mostrar como pretendem aumentar seus próprios compromissos para atingir a meta de destinar 0,7% do PIB à ajuda ao desenvolvimento. A Suécia já está no nível de 1%. Enquanto isso, insiste na importância de outros doadores mundiais assumirem suas responsabilidades, erradicar a pobreza é um dos objetivos da ajuda.
IPS – Quanto ajuda a assistência às nações ocidentais para que os países em desenvolvimento ganhem sua batalha contra a pobreza? GC – Há muitos bons exemplos de como a ajuda faz uma substancial diferença para muitos países pobres. Mas, existe um problema para medir e definir os resultados da cooperação ao desenvolvimento. Botswana é um bom exemplo de quanto a assistência ajuda ao desenvolvimento. Embora seja importante ver a ajuda como um dos vários elementos-chave para a erradicação da pobreza, o comércio e as políticas agrícolas também entram em ação. Este é também o caso de Botswana.
IPS – Que importância tem para a boa governabilidade o império da lei, o multipartidarismo, o respeito aos direitos humanos e à liberdade de imprensa no processo de desenvolvimento de um país? A ajuda da UE é condicional à boa governabilidade?
GC – Todos esses são requisitos fundamentais para um desenvolvimento viável. De fato, a falta de alimento não é o problema básico em muitos países, mas a falta de liberdade. A ajuda total da UE aumentou enormemente enquanto o bloco também deu importantes passos para promover o pluralismo político e continuar criando condições para o funcionamento do império da lei.
IPS – A UE pretende punir países como Sudão, Zimbábue, Sri Lanka e Birmânia, acusados de violar os direitos humanos, má governabilidade e crimes de guerra?
GC – No geral, é nas severas ditaduras onde as pessoas sofrem mais. Portanto, sempre é difícil obter o equilíbrio de trabalhar com regimes não democráticos e ao mesmo tempo tentar ajudar as pessoas afetadas. A ajuda humanitária às vítimas pode ser feita inclusive sem que a UE coopere com o regime. Esse é o caso, por exemplo, do Zimbábue.
IPS – Quais são os mais importantes resultados políticos e econômicos da presidência sueca que terminou no mês passado?
GC – A Suécia tinha duas prioridades com a presidência: superar a crise econômica mundial de várias formas e tratar da questão climática. No campo do desenvolvimento, creio que percorremos um longo caminho nas duas áreas. Consolidamos a importância da vontade dos países para alcançar o nível de ajuda que a ONU exige, apesar da crise econômica mundial.
Também chegamos a uma série de conclusões sobre os esforços no campo da democracia e conseguimos mais eficiência na cooperação para o desenvolvimento e maior coerência na ajuda e em outras políticas. No tema do clima, os esforços se converteram agora em um componente aceito e importante da política geral de desenvolvimento.
Além disso, estou particularmente contente pelo fato de os Dias Europeus do Desenvolvimento deste ano em Estocolomo terem atraído um grande número de participantes, mais de seis mil visitantes. Governadores, acadêmicos, organizações de ajuda e o público participaram de forma conjunta de todas as discussões importantes, desde o clima e à mortalidade materna até a democracia e os direitos humanos. (IPS/Envolverde)


