RUANDA: Abrandam os esforços para controlar o VIH / SIDA nos adolescentes

KIGALI, 22/02/2010 – David Kimenyi*, de dezoito anos, tem a certeza que infectou a namorada com VIH. Tiverem sexo não protegido muitas vezes, mesmo depois de ter descoberto que era seropositivo. “Estou com receio de ter infectado a minha namorada com o VIH / SIDA,” declarou.

“Costumávamos passar bons tempos juntos e confiávamos um no outro, a tal ponto que tivemos relações sexuais sem protecção,” disse Kimenyi sobre a namorada, que começou a namorar em 2008, não muito depois de ter feito o teste do VIH.

“Depois (de) ter tido relações sexuais sem protecção com ela várias vezes, decidi dizer-lhe que tinha SIDA,” acrescentou Kimenyi.

Isso foi há seis meses.Desde essa altura, a namorada de Kimenyi deixou-o.

No Ruanda, calcula-se que a taxa de seroprevalência seja 3.1 por cento, de acordo com o Levantamento Demográfico e de Saúde efectuado pelo governo em 2008.

Mas os funcionários de saúde estão preocupados com o facto de não se estar a fazer o suficiente para controlar a pandemia nos adolescentes.

Foi lançado um programa em todo o país envolvendo várias forças vivas para lidar com a taxa de infecção e o crescente comportamento sexual de risco entre os adolescentes, de acordo com funcionários da Comissão Nacional de Controlo da SIDA (CNLS) esta semana.

Segundo os resultados de um levantamento realizado pela CNLS sobre comportamento, só 10 por cento dos jovens sexualmente activos no país usam preservativos.

Se os jovens estão impacientes por terem relações sexuais fora do casamento, é importante educá-los sobre a forma de reduzirem o risco de serem infectados com o VIH,” disse a Secretária Executiva da CNLS, a Drª. Anitha Asimwe

Asimwe disse aos meios de comunicação locais que, presentemente, as infecções de VIH no país afectam um por cento dos jovens com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos.

“Na maioria dos casos, estes adolescentes não estão suficientemente preocupados para se submeterem a um teste voluntário. O mais desencorajador é que a maior parte dos pais não quer falar de sexo, relações e outros factos semelhantes com os filhos’”, acrescentou.

Kimenyi explicou que ele só tinha ido fazer o teste depois de ter contraído uma doença sexualmente transmitida.

“Decidi fazer o teste voluntariamente devido ao facto de ter contraído certas doenças, particularmente pneumonia, doenças de pele e herpes,” disse Kimenyi.

Em Nakumatt, num dos principais supermercados na capital do Ruanda, Kigali, perto de 100 jovens, a maior parte deles adolescentes, gozam um momento mais descontraído. Partilham bebidas e sentam-se à roda de várias mesas de plástico perto da entrada principal. Sentam-se juntos, tão juntos que podem tocar uns nos outros.

Isto era um dos sítios que Kimenyi costumava visitar. A maioria dos rapazes e reparigas que frequentam espaços públicos como o novo supermercado em Kigali querem passar bons momentos.

Se um rapaz e uma rapariga gostam um do outro e vão para casa juntos, há uma elevada probabilidade de terem relações sexuais sem preservativos.

De acordo com estimativas oficiais, a mais baixa seroprevalência, 0 – 0.5 por cento, ocorre entre adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e 19 anos. Mas Bonaventure Ntagengwa, coordenador de um centro de saúde reprodutiva para jovens em Kigali, refere que a maior parte dos jovens parece ter perdido o medo da doença.

Segundo funcionários do sector da saúde, muitos jovens, como Kimenyi, também têm dificuldade em perguntar aos parceiros sexuais se fizeram o teste do VIH ou até mesmo em discutir a sua própria condição.

Kimenyi admite que nunca revelou ser seropositivo à namorada porque estava a tentar ‘ignorar’ o assunto.

‘Levantar o problema da (nossa) seropositividade pode às vezes contribuir para uma quebra na confiança e amizade mútuas,” disse Kimenyi à IPS. No seu caso, não foi isso que aconteceu.

A Drª. Agnes Binagwaho, Secretária Permanente do Ministério da Saúde do Ruanda, disse que se devia prestar uma maior atenção a várias outras campanhas como a circuncisão masculina – que podia contribuir para a redução da taxa de infecção do VIH, especialmente entre a juventude.

“A juventude ruandesa tem de ser livre em termos das escolhas que faz para reduzir o VIH / SIDA e merece viver numa comunidade onde a segurança é uma realidade,” disse Binagwaho.

Asimwe afirma que os adolescentes necessitam de ser suficientemente educados sobre o VIH para reduzirem o risco de contrairem o virús.

“Os adolescentes são o primeiro alvo do VIH / SIDA devido às insuficientes campanhas de sensibilização; assim, há um crescente risco (de infecção entre os adolescentes) se não forem tomadas medidas apropriadas para se reduzir a taxa de transmissão,” disse Asimwe.

*O nome foi alterado para proteger a identidade do menor.

Aimable Twahirwa

Aimable Twahirwa is a senior reporter and science journalist based in Kigali, Rwanda with 10 years of experience. Aimable holds a bachelor's degree in computer science studies with a diploma is science journalism.

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