Nações pequenas temem ser marginalizadas pelo G-20

Nações Unidas, 22/06/2010 – Uma aliança de 27 pequenos países em desenvolvimento pediu ontem ao poderoso Grupo dos 20 que não marginalize seus interesses nem enfraqueça a Organização das Nações Unidas na tomada de decisões fundamentais. Trata-se do Grupo de Governança Global (3-G) composto por Bahamas, Barein, Barbados, Botsuana, Brunei, Chile, Costa Rica, Emirados Árabes Unidos, Eslovênia, Filipinas, Guatemala, Jamaica, Kuwait, Liechtenstein, Malásia, Mônaco, Nova Zelândia, Panamá, Peru, Catar, Ruanda, San Marino, Senegal, Cingapura, Suíça, Uruguai e Vietnã.

A solicitação foi feita antes da cúpula do G-20 que acontecerá nos dias 26 e 27 deste mês em Toronto, e de outro encontro, nos dias 11 e 12 de novembro, em Seul. Da reunião no Canadá participarão líderes de Brasil, Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Japão e África do Sul.

O G-20, criado em 1999 em resposta à crise financeira dos anos 90, é a união do Grupo dos Oito países mais poderosos do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), as grandes economias emergentes e a União Europeia.

Vanu Gopala Menon, representante de Cingapura na ONU, disse à IPS que é importante o G-20 se comprometer com o fórum mundial e vice-versa. “Estou um pouco perplexo pela sugestão de que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, vá a Toronto como observador”, disse o diplomata, cujo país tem papel preponderante no 3-G. “Até onde eu sei, Ban foi convidado como participante, com direito a atuar plenamente em todos os debates”, acrescentou.

Esta confusão em torno do status de Ban destaca a necessidade de que todos os futuros anfitriões de cúpulas do bloco convidem o secretário-geral e seus principais funcionários para essas reuniões e também para as instâncias preparatórias, ressaltou Menon. “Os convites deveriam ser emitidos automaticamente, sem necessidade de solicitação”, acrescentou.

O diplomata destacou ainda que as ações e decisões do G-20 têm implicações além dos que o integram. Muitos Estados-membros da ONU sentem o impacto dessas decisões. “Ao contrário das Nações Unidas, onde todos temos voz, o processo do G-20 é fechado. Compreensivelmente, isto fez surgir algumas preocupações por parte dos integrantes da ONU”, acrescentou Menon.

O G-20 representa 80% do produto interno bruto mundial, disse o chanceler de Cingapura, George Yeo. O 3-G foi criado durante uma reunião realizada no ano passado em Davos, na Suíça, acrescentou. “O poder em si mesmo confere legitimidade. Ao mesmo tempo, não pode acontecer de os interesses dos países pequenos serem simplesmente descartados”, ressaltou. Na política internacional, “o que não está organizado e o que não se ouve tende a ter menos importância”, acrescentou.

Em um comunicado divulgado ontem, o 3-G diz: “Devido às complexidades e interdependências da economia mundial, é importante que o G-20 seja consultivo, inclusivo e transparente em suas deliberações, para que seu resultado seja implementado efetivamente em escala mundial”. O impacto da crise econômica sobre o crescimento mundial e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU é significativo, acrescentou. Essas metas, definidas em 2000 pela Assembleia Geral, incluem reduzir pela metade a proporção de pessoas que sofrem pobreza e fome, em relação a 1990, até 2015.

As decisões do G-20 influirão nas perspectivas de desenvolvimento dos países que não o integram, em particular dos que estão em vias de desenvolvimento e os menos adiantados, prossegue o comunicado. Em suas deliberações, o G-20 deveria levar em conta as preocupações e aspirações das demais nações, bem como as diferentes circunstâncias nacionais e regionais. E suas decisões também deveriam proteger os avanços obtidos por estes países – em particular os mais vulneráveis – em matéria de desenvolvimento, acrescenta.

A este respeito, o financiamento ao desenvolvimento exigirá enfoques criativos e inovadores depois da crise econômica mundial. “Manter o comércio aberto também será essencial para uma recuperação mundial sustentada”, diz o comunicado.

Consultado sobre o impacto de longo prazo do 3-G sobre o G-20, Menon disse à IPS que a nova agrupação existe há menos de um ano. “As ações do G-20 deveriam fortalecer e não enfraquecer a ONU”, afirmou. O 3-G parabenizou a decisão do Canadá de convidar Ban Ki-moon e os presidentes de algumas organizações regionais para a cúpula. O G-20 deveria permitir que os países que não o integram participassem dos debates sobre temas específicos, acrescentou. IPS/Envolverde

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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