Transgênicos, esperança para pequenos agricultores de Ruanda

Kigali, Ruanda, 19/08/2010 – A pesquisadora Joelle Nsamira Kajuga sabe o efeito que tem cada uma das sementes transgênicas, se aumentam a produção, se são resistentes às bactérias, entre outros benefícios, e quer levar seu conhecimento aos pequenos agricultores pobres de Ruanda.

Transgênicos, esperança para pequenos agricultores de Ruanda

Pequenos agricultores de Ruanda. - Aimable Twahirwa/IPS

Seu vasto conhecimento é fruto de um ano de pesquisas à frente de uma equipe de especialistas do Instituto de Pesquisa Agrícola deste país. Em Ruanda, 60% da população é pobre e 90% da terra está dividida em pequenas propriedades. A agricultura é a principal atividade econômica e constitui 40% do produto interno bruto, que chega a US$ 3,4 bilhões.

Os pesquisadores estudam sementes modificadas para avaliar formas para que os pequenos agricultores de localidades afastadas possam incorporar novos métodos e novas práticas para lidar com as pragas e os efeitos de variáveis virulentas sobre as sementes modificadas, especialmente de tomate e mandioca. Cultivos que, segundo Joelle, podem servir para erradicar a desnutrição e aumentar a renda das comunidades rurais.

Os camponeses apenas cobrem sua necessidade alimentar diária e não conseguem lucro, apesar de trabalhar a terra. Os pequenos agricultores dependem de variedades de sementes tradicionais que demoram muito para amadurecer e têm menor rendimento por hectare. O problema de disponibilidade de terras se agrava no país. Ruanda tem 26.338 quilômetros quadrados e mais de dez milhões de habitantes, por isso é importante contar com formas efetivas para utilizar as áreas cultiváveis. “As comunidades rurais plantam várias espécies, mas a produção é desanimadora”, lamentou Joelle à IPS.

A equipe de pesquisa fez testes no distrito de Rutsiro, no oeste do país, e substituiu o tomate por batata doce transgênica. Os pequenos produtores podem triplicar a produção com sementes e técnicas adequadas, concluíram os especialistas. “Ainda não há dados mostrando em que medida as novas sementes modificadas ajudarão na solução do problema da fome e desnutrição, mas o estudo concluiu que a aplicação e o sucesso dos resultados dependerão do modo de pensar das comunidades rurais”, disse Joelle. Os agricultores devem ser treinados para compreender as vantagens das sementes melhoradas, insistiu a especialista.

O desemprego rural afeta mais mulheres do que homens, segundo o Ministério da Agricultura. O governo adotou várias políticas para promover novas técnicas de cultivo em áreas rurais. “É um grande problema ter um terreno que nunca poderá alimentar sua família nem gerar renda”, disse à IPS Mary Mukamabano, que cultiva mandioca em Rutsiro. O mais difícil de cultivar em pequena escala é o acaso que o dia pode apresentar, disse Mary, que tem sete filhos. Aos 42 anos, preferiria encontrar outro trabalho, afirmou. “O que mais precisamos é conseguir um emprego fora da agricultura”, acrescentou.

Por outro lado, Gloriose Nyiramatama, que cultiva milho e amendoim no distrito de Huye, não quer mudar de atividade e prefere mudar de sementes. Gloriose, com cinco filhos, deixou de cultivar batata doce, e passou a plantar amendoim. Desde que trocou, sua renda aumentou um pouco e a produção também. Envolverde/IPS

Aimable Twahirwa

Aimable Twahirwa is a senior reporter and science journalist based in Kigali, Rwanda with 10 years of experience. Aimable holds a bachelor's degree in computer science studies with a diploma is science journalism.

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