SAÚDE: Vacina contra a malária na medida da África

Johannesburgo, África do Sul, 10/11/2010 – Autoridades africanas da saúde começaram a estudar a melhor forma de introduzir a nova vacina contra a malária dentro de aproximadamente dois anos, após quase 25 de pesquisas.

SAÚDE: Vacina contra a malária na medida da África

A malária é responsável pela morte de 20% das crianças que morrem na África. - Julien Harnels/Wikicommons

A fase de produção começou com a vacinação de 16 mil crianças de sete países africanos. O produto poderá estar pronto para uso em massa em 2013. Mais de 750 mil pessoas morreram – a maioria menores de idade – vítimas dessa doença na África em 2008, último ano sobre o qual a Organização Mundial da Saúde tem dados.

A malária responde pela morte de uma em cada cinco crianças que perdem a vida na África. Os que sobrevivem correm o risco de sofrer anemia, o que afeta um crescimento e desenvolvimento saudáveis, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A vacina RTS,S será aplicada aos setores mais vulneráveis da população. Serão inoculados bebês de seis a 12 semanas e de cinco a 17 meses para fortalecer sua resistência à doença até completarem cinco anos.

A Iniciativa para uma Vacina Contra a Malária trabalha com o laboratório GlaxoSmithKline para criar o produto que pode mudar de forma radical a situação na África. Os testes já feitos em Burkina Faso, Gabão e Tanzânia mostram que a vacina tem mais de 50% de efetividade na prevenção da doença, disse David Poland, oficial de Comunicações do não governamental Programa sobre Tecnologia Apropriada em Saúde, que gerencia a Iniciativa.

É preciso considerar várias coisas para administrar uma nova vacina. É importante conhecer a incidência da doença e considerar os prazos nos quais será aplicada. Os países que introduzem uma nova vacina devem considerar os requisitos para manter a cadeia do frio e capacitar pessoal para manejá-la.

O especialista Ahmadu Yakubu, assessor em imunização regional do Unicef para a África oriental e austral, ilustrou o desafio que terão as autoridades com o que ocorreu com a vacina em Ruanda em 2009. “No começo foi aplicada com seringa de vidro, quase 58 centímetros cúbicos por dose. A inoculação das crianças exigia três doses, uma quantidade muito maior que outras”, explicou. Isso marca uma grande diferença em relação ao espaço necessário para armazenar a vacina com segurança. “Felizmente, isso mudou, o volume da dose foi reduzido para 48 centímetros cúbicos”, disse Yakubu.

A RTS,S pertence a uma nova geração de vacinas concebidas principalmente para o Sul, onde são previstas as necessidades de gestão específicas para os países onde será aplicada. A falta de recursos faz com que as medidas para garantir a cadeia do frio sejam implementadas quando a vacina já estiver pronta para ser distribuída. Há incentivo para que os países façam isso com antecipação dentro das possibilidades permitidas por seus fundos. “Quando é planejada a introdução de uma vacina, tenta-se limitar ao máximo a quantidade de vezes que a mãe deve levar o filho ao centro de saúde. O novo produto deve ajustar-se o mais possível aos planos de imunização existentes”, explicou Yakubu.

A RTS,S será melhor aplicada com outras vacinas infantis, com as que previnem a poliomielite e a difteria, afirmou Tsiri Agbenyega, pesquisador principal do local de teste da cidade ganesa de Agogô. A vacina fará parte de uma estratégia de prevenção da malária, acrescentou. “A ideia não é que iremos substituir outros controles. Queremos aplicá-la junto com outras medidas”, acrescentou. Envolverde/IPS

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