Juba, Sudão, 12/01/2011 – Pelo menos 11 pessoas morreram em enfrentamentos no contexto do histórico referendo no qual o Sudão do Sul decide sua separação, ou não, do Norte.
Acredita-se que combatentes da tribo misseriya estão por trás do último ataque, ocorrido em Kurdufan, no lado Norte da disputada região. “Eles, como tribo, pertencem a um país, a um Estado e a uma liderança. Alguém deve assumir a responsabilidade e prestar contas sobre o ocorrido”, disse Gier, insistindo que o Norte deve se declarar culpado.
Mohammad Wad Abuk, veterano membro dos nômades árabes misseriya, negou qualquer participação no ataque. “Isto é mentira, os misseriya não atacaram nenhum comboio. O Movimento Popular de Libertação do Sudão só quer explorar a situação na área para criar confusão”, disse, referindo-se ao partido dominante no Sul. O último ataque aconteceu quatro dias depois de enfrentamentos entre os nômades misseriya, a polícia do Sul e jovens, na disputada região fronteiriça de Abyei.
Os observadores temem que esta última onda de mal-estar possa provocar mais lutas em meio a um referendo que poderia ser pacífico. Abyei é o ponto mais disputado entre o Norte e o Sul, após uma guerra civil de duas décadas que deixou dois milhões de mortos. Em Abyei, onde há depósitos de petróleo, foi prometida sua própria consulta popular sobre a autodeterminação. Entretanto, ainda é incerto se continuará sendo parte do Sudão ou se se unirá ao Sul independente.
É provável que os sete dias de eleições no Sul do Sudão apresentem um resultado esmagadoramente favorável à independência, e o presidente, Omar al-Bashir, disse que deixará que o Sul, rico em petróleo, se separe de modo pacífico. A proporção de participação dos eleitores nos primeiros dias de votação deixou muitos no Sul desconfiados de que estavam no caminho correto para atingir os 60% fixado em 2005 pelo Completo Acordo de Paz para que o referendo seja válido.
Espera-se que os resultados preliminares sejam anunciados no dia 7 de fevereiro, prevendo cinco dias para apelações, antes da divulgação dos resultados finais no dia 14. O Sul do Sudão é uma das áreas mais pobres do mundo. Toda a região conta com apenas 50 quilômetros de estradas pavimentadas. No entanto, a maior parte do petróleo sudanês está no Sul, enquanto os oleodutos que se dirigem ao mar atravessam o Norte, vinculando economicamente as duas regiões.
Bashir declarou ter dito ao ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter que o Norte assumiria toda a dívida do Sudão, de quase US$ 38 bilhões, se o Sul se separar. Carter, que atualmente é observador internacional nesse país, disse que, “de algum modo, o Sul do Sudão inicia uma conta nova em matéria de dívida”. Entretanto, Emad Sayed Ahmed, porta-voz da Presidência sudanesa, negou isto em um comunicado divulgado pela agência estatal de notícias.
Bashir simplesmente disse a Carter que dividir a dívida não ajudará nem o Norte nem o Sul, porque ambos carecem de recursos para fazer os pagamentos, disse Ahmed em um comunicado. O escritório de Bashir afirmou que dividir a divida entre o Norte e uma possível nova nação no Sul não terá nenhuma utilidade, porque o futuro Estado não poderá pagá-la. O comunicado propôs que a dívida do Sudão seja resolvida de maneira conjunta, acrescentando que “é responsabilidade do Norte, do Sul e da comunidade internacional”. Envolverde/IPS


