SIPHOFANENI, Suazilândia, 08/02/2011 – Não existe nada como o entusiasmo que nasce nos agricultores quando as chuvas chegam finalmente a uma zona assolada pela seca. Embora as fortes chuvas causem grandes inundações em toda a África Austral, havendo receios que ainda pior aconteça, em pelo menos um lugar da região a comunidade olha com alegria para a barragem a transbordar.
Há 20 anos que os residentes de Siphofaneni e áreas circundantes na zona das terras baixas, no leste da Suazilândia, sobrevivem com rações alimentares devido à falta de chuva para cultivar as suas culturas.
Este ano, quatro meses depois de plantar os seus campos, Elias Mamba, agricultor, está excitado com a futura colheita no seu terreno de cinco hectares.
“Penso que estas chuvas vão acabar com a nossa dependência da ajuda alimentar uma vez que não podíamos colher nada durante a seca,” disse Mamba. “Pela primeira vez na história deste país, podemos doar alimentos a outros países.”
Mamba, que é o Director da Associação de Agricultores de Mganyaneni, também sorri de orelha a orelha devido ao facto de, pela primeira vez desde a sua conclusão em 2008, a barragem de Lubovane estar a transbordar. A barragem atingiu a sua capacidade máxima de 160 milhões de metros cúbicos de água mas a água continua a entrar na barrragem.
“A comunidade veio ver a barragem e estamos optimistas que mais oportunidades surgirão desta infra-estrutura para além da agricultura,” disse Mamba.
O reservatório assemelha-se ao oceano, diz o agricultor com ar sério, que normalmente os Suázis têm de viajar até Moçambique ou à África do Sul para observarem.
O nível da água é tão elevado que os seus operadores, o Empreendimento para o Desenvolvimento da Água e Agricultura da Suazilândia (SWADE), têm sido obrigados a enviar representantes aos agregados familiares mais próximos das margens para os tranquilizar.
“Estão situados acima da provável e possível linha de inundação, onde a chegada das águas seria pouco provável. Tomaram-se medidas cuidadosas no sentido de assegurar que os restantes agregados em redor da barragem não sejam afectados pelas cheias,” disse o director de comunicações, Gugulethu Hlope.
“A barragem tem dois desaguadouros que permitem que a água volte a entrar no rio depois de ter atingido a sua capacidade máxima,” disse Arthur Belsey, director do Projecto de Irrigação dos Pequenos Agricultores do Baixo Usuthu.
A seca prolongada levou Mamba e muitos outros membros da comunidade a preocuparem-se com a possibilidade de o Grande Rio Usuthu, que contribui três quartos da água que se encontra no reservatório, e o Rio Umhlathuzane, que contribui o restante fluxo de água, poderem secar.
Depois de muitos anos de seca decepcionantes, o antigo agricultor de algodão afirma que os cépticos diziam que o Rio Usuthu ficaria sem água quando o SWADE tentasse encher a barragem.
A barragem de Lubovane foi construída pelo SWADE com o objectivo de apoiar a agricultura comercial nestas comunidades assoladas pela pobreza no leste do país. A primeira fase do projecto já irriga 1.390 hectares de cana-de-açúcar.
O SWADE é uma companhia parapública cujo lema é “usar a água para acabar com a pobreza nas comunidades rurais” e a barragem de Lubovane está no centro das actividades dos projectos na zona. A barragem fornece água para irrigar 1.390 hectares de cana-de-açúcar explorada comercialmente, mas também fornece água para consumo delos aldeões.
Reconhecendo a utilização interdependente da água, o projecto envolve e organiza a comunidade local no sentido de trabalhar para um melhor abastecimento de água, saneamento e segurança alimentar com a água extraída dos canais de irrigação.
O SWADE também está a trabalhar em estudos que visam determinar se há potencial para iniciar um projecto turístico em redor da barragem, tirando partido do peixe que aí se encontra.
“A barragem constitui um veículo para iniciar outros projectos geradores de rendimentos, que devem ser determinados pela comunidade,” disse Belsey.
O sonho de Mamba de doar alimentos às pessoas com fome noutros países pode ser demasiado optimista, mas a chegada das chuvas encheu a comunidade de esperança.

