WINDHOEK, 23/03/2011 – Para a capital da Namibia, o objectivo de obter água e saneamento de forma sustentável representa um grande desafio para o século XXI. Windhoek tinha apenas 140.000 habitantes na altura da independência em 1990. Em 20 anos, segundo a autarquia local, a população duplicou para 300.000 pessoas, 20 a 30 por cento das quais vive em bairros degradados.
Estas áreas não planeadas estão a crescer a um ritmo de 9.4 por cento por ano, transformando o abastecimento de água e saneamento num desafio importante.
Geraldine van Rooi, Chefe da Secção de Desenvolvimento Sustentável no departamento de gestão urbanística, afirma que a cidade apresentou uma resposta multifacetada.
Há uma política para regulamentar de forma ordenada o desenvolvimento urbano ligado ao meio ambiente, existindo também um documento estatutário que rege os direitos de utilização do solo e ainda uma estratégia para a modernização e gestão dos bairros degradados.
A Estratégia de Desenvolvimento e Modernização, elaborada em 1999, levou à construção de serviços de ablução e à instalação de torneiras pré-pagas nos bairros degradados de Windhoek. Concluíram-se quatro grandes projectos de modernização na Extensão Havana 1 e Havana Centro em Ongulumbashe e Parque de Okahandja.
As apreciações dos residentes são heterogéneas.
“Melhorou,” diz Paulus Siwonbe, que vive no bairro degradado de Babylon. “Estou contente porque pelo menos posso recolher água usando o meu cartão, guardá-la num recipiente de 25 litros, até uma semana. E a nossa casa de banho é agradável porque podemos mantê-la limpa,” afirma Siwonbe, de 29 anos. “Antes tínhamos de ir para o mato quando precisávamos de ir à casa de banho e dispúnhamos de torneiras velhas para obter água, mas agora as coisas mudaram para melhor. Podemos recarregar o cartão e recolher água ou, se não tivermos o cartão, podemos pedir dinheiro emprestado e pagar ao dono alguma coisa.”
Elizabeth Upapa, que também é de Babylon, não está satisfeita. “Construíram-nos as casas de banho, mas estão sujas e não são em número suficiente. Uma casa de banho para 100 pessoas? Não é justo. Precisamos da nossa privacidade.”
O custo da água das torneiras públicas usando o cartão pré-pago também representa um problema para ela. “Sim, temos água mas não estou satisfeita porque é cara,” diz. “Quando carregamos o cartão temos de pagar logo 10 doláres namibianos (1.50 doláres americanos), ou mais. Onde é que vamos arranjar o dinheiro? Deviam dar-nos a água gratuita.”
Siwombe ri-se quando ouve esta afirmação. “Não, hoje em dia não podemos passar sem água aqui no lokas (bairro). É barato e também podemos usar as nossas colheres e outras chaves se o dinheiro acabar…”
Diz que as casas de banho na sua secção de Babylon estão limpas porque ele e os outros jovens fazem turnos para as limpar de manhã e à noite.
Zulu Shitongeni, vereador do círculo eleitoral de Tobia Hainyeko, que inclui o bairro de Babylon e outras zonas empobrecidas da cidade, afirma que o governo está a modernizar os bairros degradados gradualmente. Até agora já gastou 1.3 milhões de doláres para melhorar o saneamento e a distribuição de água.
“Estamos contentes. O processo está em curso. No ano passado, conseguimos construir 187 casas de banho adicionais, que se juntaram às 225 já existentes, a um custo de seis milhões de doláres [doláres namibianos – 870.000 doláres americanos), ao passo que gastámos aproximadamente três milhões de doláres para 177 casas de banho adicionais.
Diversas comunidades adoptaram o seu próprio sistema de gestão de água para apoiar os esforços do governo, de acordo com a Federação dos Habitantes de Barracas. Ao abrigo deste sistema, as pessoas formam grupos para assumir responsabilidade colectiva pela factura de água consumida localmente. Estes grupos são responsáveis por monitorizar o consumo de água pelos seus vizinhos e ainda o pagamento do sistema.
Ao enfrentar o desafio de dar resposta às necessidades de todos os residentes, tendo em conta o crescimento populacional e o clima pouco favorável à água, a cidade de Windhoek apelou ao governo central e regional, assim como ao sector privado, que se envolvessem e ajudassem a municipalidade a providenciar serviços de abastecimento de água e saneamento apropriados.

