TECNOLOGIA-ÁFRICA: A invasão indiana à distância

Nova Délhi, Índia, 25/03/2011 – A Índia não pode igualar os investimentos da China na África, mas, para manter sua presença no continente, recorre à sua especialidade, a tecnologia da informação, e oferece educação a distância a um preço acessível. “Como se pode incidir na África?”, perguntou Ajay Kumar Dubey, do departamento de estudos sobre a África da Universidade de Jawaharlal Nehru. “Obviamente, este país não pode competir com a China, nem com os Estados Unidos, mas foi a Índia que inspirou as lutas de independência do Século 19 e se opôs ao apartheid”, acrescentou.

O projeto Rede Eletrônica Pan-Africana é um exemplo clássico do que faz a Índia para ganhar amigos na África e ter uma parte do mercado e dos recursos do continente para expandir sua própria economia. A iniciativa oferece serviços de telemedicina e educação a distância, facilitando a realização de videoconferências entre chefes de Estado africanos. É o “melhor exemplo de associação entre Índia e África”, disse o chanceler indiano S. M. Krishna, ao inaugurar a segunda fase da proposta de US$ 125 milhões, em agosto de 2010, na sede da estatal Telecommunications Consultants India Ltd. (TCIL) de Nova Délhi.

A primeira etapa, inaugurada em fevereiro de 2009, compreendeu Benin, Burkina Faso, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Mauricio, Nigéria, Ruanda, Senegal e Seychelles. Para a segunda fase estão comprometidos Botsuana, Burundi, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Eritreia, Líbia, Malaui, Moçambique, Somália, Uganda e Zâmbia.

“O projeto nos permitiu provar algo”, disse à IPS o executivo da TCIL, Rajesh Kapoor. “É colocar em prática uma grande ideia, mas simples, para unir as pessoas”, explicou. Kapoor tem razões para ser otimista. O projeto ganhou o Prêmio Hermes para a Inovação 2010, entregue pelo Instituto Europeu de Estratégias Criativas. O Instituto considera que a rede de comunicações por fibra ótica e via satélite é o “programa mais ambicioso de educação a distância e de telemedicina já realizado na África, o primeiro exemplo de uma grande ajuda ao desenvolvimento Sul-Sul”.

Há dois mil estudantes africanos registrados eletronicamente em instituições de ensino de prestígio da Índia, como o Instituto Indiano de Ciências, Universidade de Madras, Universidade de Nova Délhi, Universidade Nacional Aberta Indira Gandhi, Universidade Amity e o Instituto Indiano de Tecnologia de Kanpur. Centros de educação a distância africanos foram criados na Universidade de Ciência e Tecnologia de Kwame Nkrumah, em Gana; na Universidade Makerere, em Uganda, e na Universidade de Youndé, em Camarões.

A Universidade de Makerere destinou duas salas de conferências para o programa, dotadas da última tecnologia em educação a distância e equipamentos de videoconferências vinculados à Universidade Amity. Existe total interação entre os conferencistas e os estudantes. O programa é útil para estudantes ocupados, disse Davies Rwabu, da cadeira de Negócios Internacionais. “Temos três horas de viodeconferências por semana. Além disso, é possível ficar em dia com as informações disponíveis em nosso portal da Internet”, disse à IPS. O sistema habilita o acesso aos conteúdos armazenados na base de dados para revisão das lições e contato com os conferencistas na Índia, acrescentou.

O custo dos cursos é de US$ 200 por semestre em Makerere, bem abaixo dos US$ 1.240 que custam outros cursos similares. O dinheiro obtido não vai para a Índia, e é usado para pagar os técnicos locais dos centros de educação a distância, bem como o coordenador do projeto. Com os cursos da Universidade Amity por meio do centro Makerere se obtém um diploma de tecnologia da informação e pós-graduação em gestão e controle financeiro e em negócios internacionais.

Quando foi lançado o programa, em agosto de 2009, inscreveram-se 236 estudantes ugandenses, número que duplicou no ano seguinte. Haverá outro período de inscrições em julho deste ano. O objetivo é ajudar a África a construir suas próprias capacidades com educação de qualidade para dez mil estudantes do continente em cinco anos, disse Kapoor.

A Índia ampliou a assistência a várias nações africanas capacitando especialistas e desenvolvendo diversos projetos. Mais de mil funcionários públicos da África subsaariana participaram do programa Educação e Técnica, e cerca de 15 mil estudantes estão matriculados em vários outros.

Existe uma proposta para criar diferentes institutos Índia-África, cada um especializado em uma área, como comércio exterior, educação, administração, diamantes e assentamentos humanos, como forma de incentivar o estudo. Envolverde/IPS

*Com a colaboração de Wambi Michael, de Uganda.

Ranjit Devraj

Regional editor Ranjit Devraj, based in Delhi, takes care of the journalistic production from the Asia and Pacific region. He handles a group of influential writers based in places like Bangkok, Rangoon, Tehran, Dubai, Karachi, Colombo, Melbourne, Beijing and Tokyo, among many others. He coordinates with the editor in chief and forms part of the IPS editorial team. Ranjit Devraj has been an IPS correspondent in India since 1997. Prior to that he was a special correspondent with the United News of India news agency. Assignments for UNI included development of the agency’s overseas operations, particularly in the Gulf region. Devraj counts two years in the trenches (1989-1990) covering the violent Gorkha autonomy movement in the Darjeeling Hills as most valuable in a career of varied journalistic experience.

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