O Programa Hidrológico Internacional (PHI) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lançou o Portal da Qualidade da Água Mundial, que fornece informações sobre a qualidade da água doce em escala global, usando dados de sensoriamento remoto. A qualidade da água afeta a saúde humana, assim como ecossistemas, biodiversidade, produção de alimentos e crescimento econômico. Embora seu aprimoramento seja essencial para o desenvolvimento sustentável, são raros os dados confiáveis, especialmente em áreas remotas e em países em desenvolvimento nos quais não existem capacidades ou redes de monitoramento. O Portal da Qualidade da Água Mundial, da Iniciativa Internacional sobre Qualidade da Água, atende a uma necessidade urgente de aprimorar o acesso à informação e a uma base de conhecimento, com o objetivo de entender melhor os impactos das mudanças causadas pelo clima e pelas atividades humanas na segurança hídrica. O site facilitará uma tomada de decisões consciente e com base científica para a gestão da água, e apoiará os esforços dos Estados-membros na implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 6, que trata de água potável e saneamento, assim como vários outros objetivos e metas relacionados diretamente com a qualidade e a poluição da água. A iniciativa fornece dados sobre cinco indicadores-chave da qualidade da água: turbidez e distribuição sedimentar, clorofila A, floração de algas nocivas (FAN), absorção orgânica e temperatura da superfície. Esses indicadores também fornecem informações quanto ao impacto de outros setores e usos da terra, como as áreas urbanas, uso de fertilizantes na agricultura, mudança climática ou gestão de represas e reservatórios. Por exemplo, acompanhar mudanças na turbidez (o grau em que a luz é retrodifundida em partículas na água) é útil para o monitoramento de resquícios de sedimentos em atividades de dragagem e despejo. A clorofila A é um pigmento encontrado em células de fitoplâncton, enquanto o indicador FAN mostra áreas possivelmente afetadas por florações de algas nocivas, formadas por cianobactérias e que contêm ficocianina. O portal utiliza dados óticos dos satélites Landsat e Sentinel-2, que são de acesso aberto, e um sistema computacional desenvolvido pela empresa EOMAP, da Alemanha. Nessa fase de demonstração, o Portal da Qualidade da Água Mundial fornece uma série cronológica de dados referentes a sete bacias hidrográficas e recursos hídricos da superfície em todas regiões do mundo, monitorando esses cinco indicadores desde janeiro de 2016. As bacias e regiões consideradas nessa fase são: Lago Sevan, na região do Cáucaso (Armênia e Azerbaijão); reservatório de Itaipu e a Bacia do Rio Paraná (Argentina, Brasil e Paraguai); Planalto do Lago Mecklenburg (Alemanha); Rio Nilo e Represa de Assuã (Egito e Sudão); Delta do Rio Mekong (Vietnã); Lagos da Flórida (EUA); e Bacia do Rio Zambeze (Zâmbia e Zimbábue). Também inclui materiais de treinamento para facilitar a capacitação e conscientizar as partes interessadas, que incluem profissionais do setor hídrico, formuladores de políticas e o público em geral. Uma exposição intitulada “Qualidade da água desde o espaço: imagens hipnotizantes da observação terrestre” também foi apresentada na Sede da UNESCO, […]
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