, 25/07/2005 – Depósito de pesticidas é rejeitado em cidade argentina… Diminui o desmatamento na Amazônia brasileira… Críticas no Peru à rodovia iteroceânica… Congresso colombiano discutirá manejo da água… Hidrelétrica ameaça espécies em extinção no Brasil.
ARGENTINA
Depósito de pesticidas é rejeitado
BUENOS AIRES.- Moradores da localidade de Bower, na província argentina de Córdoba, resistem com manifestações de rua ao estabelecimento de um depósito temporário de 12 toneladas de DDT (dicloro difenil tricloroetano) e outros pesticidas altamente tóxicos.
Há seis meses, a Fundação para a Defesa do Meio Ambiente (Funam) denunciou na Justiça a existência de um depósito de produtos tóxicos do Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar na capital de Córdoba.
Em julho, a Justiça determinou que esse organismo deverá retirar do local as substâncias perigosas e levá-las para uma usina de tratamento de resíduos na vizinha província de Santa Fé. Entretanto, a carga não foi aceita na usina e ficou temporariamente em Bower, a apenas dez quilômetros da capital de Córdoba.
Raúl Montenegro, da Funam, disse ao Terramérica que o destino final seria França ou Bélgica, onde há usinas capazes de neutralizá-los.
BRASIL
Diminui o desmatamento amazônico
RIO DE JANEIRO.- Uma queda vertical do desmatamento da Amazônia brasileira em junho, de 95% em relação a igual período de 2004 (de 10.017 para 531 quilômetros quadrados), alimenta a esperança de êxito no combate a essa prática.
O resultado se deve principalmente a fortes medidas do governo, que protege desde fevereiro extensas áreas do Pará, e em junho desmantelou uma rede de corrupção que aumentava a extração ilegal de madeira no Mato Grosso, disse Carlos Souza, secretário do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia.
Este instituto fez os cálculos com dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, que usa imagens de satélites para uma "inspeção cirúrgica" e permite a imediata repressão, explicou Souza.
PERU
Críticas à rodovia iteroceânica
LIMA.- A construção de uma rodovia, que ligará o litoral brasileiro no Atlântico com as costas peruanas no Pacífico, é questionada por seu custo e impacto ambiental.
O governo peruano prometeu ao brasileiro investir US$ 1,5 milhão para construir uma estrada de 1,1 mil quilômetros, que uniria a rede viária do Brasil a portos de Marcona, Matarani e Ilo, no Peru. Segundo os críticos, isso afetará negativamente as florestas tropicais peruanas, que serão atravessadas em um trecho de 400 quilômetros.
"Esta super-rodovia será benéfica para o Brasil, mas muito pouco para nosso país, que pagará não apenas sua construção, como também seus graves custos ambientais e sociais", afirmou o peruano Marc Dourojeanni, assessor regional para o Meio Ambiente do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
"Como já ocorreu no Brasil, a estrada incentivará a exploração depredadora, desmatará e degradará a floresta e promoverá a exploração e expulsão das comunidades nativas", acrescentou.
COLÔMBIA
Congresso discutirá manejo da água
BOGOTÁ.- O Congresso colombiano debaterá no período de sessões, iniciado no dia 20 de julho, o projeto de Gestão Integral de Recursos Hídricos, chamado de Lei da Água, que tem a meta de garantir a oferta e o abastecimento desse líquido.
A vice-ministra de Meio Ambiente, Carmen Arévalo, explicou ao Terramérica que o projeto estabelece o planejamento em cada bacia hidrográfica para melhorar a disponibilidade e qualidade do recurso, e ainda requisitos para o despejo de esgotos.
Também esclarece as competências de pesquisa e aproveitamento de águas subterrâneas, estabelece responsabilidades em matéria de drenagem urbana, fortalece os instrumentos financeiros para ordenamento e manejo de bacias e consolida um sistema de informação ambiental confiável e oportuno para a tomada de decisões, acrescentou.
Segundo um estudo governamental, apenas 28% da população recebe água potável (9% na área rural) e 49% da água que se bebe não é recomendada para consumo humano.
BRASIL
Hidrelétrica ameaça espécies em extinção
SÃO PAULO.- A construção da hidrelétrica Barra Grande, no limite dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ameaça duas espécies vegetais em risco de extinção, segundo denúncia de grupos ambientalistas.
A central será construída no vale do rio Pelotas, terá capacidade de 708 megawatts e uma represa de 94 quilômetros quadrados que inundará, segundo os ecologistas, uma das últimas zonas de floresta de araucárias (Araucaria agustifolia) existentes no país e pode condenar ao desaparecimento três das últimas populações de Dyckia distachya, espécie de bromélia endêmica da região. As duas espécies estão em vias de extinção.
"A concessão para a operação de Barra Grande legitima o que pode ser considerado um dos maiores crimes ambientais da década. O mais grave é que a situação foi tratada com total indiferença por todas as instâncias que têm a obrigação de cuidar do meio ambiente no país", disse ao Terramérica Miriam Prochnow, presidente da ong Apremavi.
Apesar dos protestos de grupos ambientalistas e da sociedade civil, o Ibama concedeu, no dia 5 de julho, a licença ambiental para o início das obras.
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

