, 26/09/2005 – Expansão da educação ambiental no Brasil… Em Cuba buscam obter bambu in vitro… Protestos de camponeses guatemaltecos freiam Lei de Águas… Não haverá riscos de seca no Chile… Construção em montanha devastada
BRASIL
Expansão da educação ambiental
RIO DE JANEIRO.- Noventa e quatro por cento das escolas brasileiras incluem educação ambiental em seus programas, como currículo regular ou em projetos específicos, segundo o censo escolar 2004, que analisa 215 mil centros de estudos.
Três anos antes, essa porcentagem era de 61,2, daí o aumento ser animador. "Mas não se pode esperar que a qualidade em termos de consistência conceitual e continuidade acompanhe uma expansão rápida", disse ao Terramérica Luiz Ferraro, técnico do Ministério do Meio Ambiente, afirmando falar em caráter pessoal.
Os ministérios do Meio Ambiente e da Educação formam educadores ambientais, tanto entre professores como sindicalistas, camponeses e comunidades ligadas a ecossistemas importantes, como os ribeirinhos, explicou Ferraro.
CUBA
Bambu in vitro
HAVANA.- Um projeto para desenvolver o bambu em Cuba busca obter e multiplicar in vitro quatro espécies fornecedoras de madeiras da "gramínea maravilhosa", com o objetivo de ampliar seu uso nesta ilha do Caribe.
O resultado será "a produção de madeira laminada, artigos de artesanato e o uso dos dejetos como fonte energética", disse ao Terramérica Fernando Martirena, subdiretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Estruturas e Materiais da Universidade Central de las Villas, a 300 quilômetros de Havana.
Mil e duzentos hectares serão semeados com o apoio da Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação. As plantações se somarão a outros mil hectares fomentados no leste cubano.
O bambu cresce em zonas temperadas da Ásia e América e se distingue por sua resistência estrutural, leveza e hábitat perene. Até agora, seu uso em Cuba é muito limitado.
GUATEMALA
Protestos freiam Lei de Águas
GUATEMALA.- Os deputados do Congresso guatemalteco retiraram uma iniciativa para criar a Lei de Águas, após vários protestos feitos em setembro por milhares de camponeses, no oeste do país.
Guillermo Sosa, deputado que integra a Comissão de Meio Ambiente, confirmou ao Terramérica que isso aconteceu "enquanto se faz um estudo mais profundo do assunto". Também se consultará a população sobre a proposta.
Juan Chitay, um dos líderes do movimento, afirmou que, com a lei, o governo do presidente Oscar Berger pretende "assumir o controle da água". Essa lei "causará problemas na saúde dos moradores, na agricultura e no desenvolvimento de nossas comunidades", acusou.
A iniciativa da lei estabelecia a criação de um vice-ministério de Recursos Hídricos para administrar o uso da água e o emprego de licenças especiais para o melhor aproveitamento do líquido com fins produtivos.
CHILE
Não haverá riscos de seca
SANTIAGO.- Fortes chuvas e muita neve em boa parte do Chile, 70% maiores do que as habituais e provocadas por um inverno prolongado e duro, descartaram definitivamente os riscos de seca e racionamento de energia elétrica sugeridos no início do ano.
O vice-ministro de Obras Públicas, Pablo Piñera, disse, no dia 21 de setembro, que a abundância de água permitirá aumentar as reservas das grandes represas. O acúmulo de neve na Cordilheira garantirá uma favorável reserva hídrica quando começar o degelo.
"A próxima temporada de irrigação será a melhor desde 1997", disse Piñera ao Terramérica. "No que resta do ano e início do próximo, não haverá problemas com escassez de água para nenhuma das atividades vinculadas à agricultura, ao turismo, ao setor hidrelétrico e à pesca", acrescentou.
VENEZUELA
Construção em montanha devastada
CARACAS,- A Venezuela analisa a construção de 30 mil moradias em 3,5 mil hectares no norte de Ávila, montanha que separa Caracas do Mar do Caribe e onde chuvas e deslizamentos deixaram milhares de mortos em 1999, confirmou a ministra do Meio Ambiente, Jacqueline Faría.
A ministra admitiu que a construção nas ladeiras da montanha apresenta riscos e dificulta o fornecimento de água e outros serviços, por isso encomendou um estudo a um comitê dirigido por Antonio Rivero, chefe do escritório governamental para desastres e proteção civil.
Marco Negrón, diretor de um grupo de arquitetos, disse ao Terramérica que "se trata de um projeto improvisado que, de maneira absurda, devia os investimentos nas áreas onde a população já está para levá-la a outras, onde, obviamente, junto com as moradias serão necessárias escolas, serviços sanitários, infra-estrutura viária, centros comerciais e fornecimento de água".
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

