Política: Novo embate entre a ONU e os EUA

Washington, 23/01/2005 – Diante da situação no Iraque e da dificuldade em conseguir "mudanças de regime" no Irã e na Coréia do Norte, neoconservadores dos Estados Unidos uniram-se à extrema direita para colocar na alça de mira um alvo muito mais fraco: a Organização das Nações Unidas, começando por seu secretário-geral, Kofi Annan. Duas destacadas vozes neoconservadoras pediram, na segunda-feira, sua renúncia, baseados em informes de que o filho de Annan, Kojo, recebeu pagamentos de uma firma auditora suíça contratada pela ONU para controlar o programa "petróleo por alimentos" no Iraque até quatro anos após ter deixado a empresa. O programa permitia ao governo iraquiano, como exceção ao embargo internacional, vender quantidades limitadas de petróleo para adquirir alimentos, remédios e outros artigos humanitários, tudo sob a supervisão das Nações Unidas.
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Política: Congresso dos EUA prepara o caixão do Tribunal Penal Internacional

Washington, 23/01/2005 – O congresso dos Estados Unidos debate um projeto de lei que impõe sanções a países aliados que apóiam o Tribunal Penal Internacional (TPI). A Câmara de Representantes aprovou este mês uma emenda ao orçamento de 2005 de ajuda externa, proposta em junho, que proíbe a assistência financeira a países que não ratificaram o Acordo de Imunidade Bilateral (AIB) com Washington, com o qual busca impedir que cidadãos norte-americanos fiquem sob jurisdição do tribunal. Esta proibição recebeu críticas do Departamento de Estado e, inclusive, de vários líderes do governante Partido Republicano, que advertiram sobre a possibilidade de criar obstáculos à colaboração internacional na "guerra contra o terrorismo".
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Direitos Humanos: Empresa petroleira dos EUA paga por abusos na Birmânia

Washington, 23/01/2005 – A gigante norte-americana do petróleo Unocal chegou a um acordo extrajudicial preliminar para compensar cidadãos birmaneses que a processaram em 1996 por abusos cometidos contra eles e suas comunidades por soldados que davam proteção à construção de um oleoduto. Esse acordo, cujos detalhes não foram revelados, foi anunciado por advogados da empresa e representantes do Direitos da Terra Internacional (ERI, sigla em inglês). Os demandantes permanecem no anonimato. Segundo a informação divulgada pelas duas partes, "inicialmente se compensará os demandantes e serão destinados fundos que lhes permitam desenvolver, junto com seus representantes, programas para melhorar as condições de vida, os cuidados com a saúde e a educação das pessoas da região por onde passa o oleoduto, bem como defender seus direitos".
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Estados Unidos: Rumsfeld com problemas

Washington, 23/01/2005 – Embora o presidente George W. Bush lhe tenha pedido para permanecer no cargo, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, está com problemas. Não o ajuda a publicação de novos documentos sobre torturas de presos na "guerra contra o terrorismo". Legisladores de carreira do Partido Republicano, entre eles dois veteranos da guerra do Vietnã com as máximas condecorações, endureceram suas críticas contra o chefe do Pentágono. Um deles, o senador John McCain, disse esta semana à Associated Press que não tem confiança em Rumsfeld. O outro, o senador Chuck Hagel, qualificou de "irresponsáveis" as ações do secretário na guerra do Iraque, e, em referência à decisão de Bush em mantê-lo no cargo, afirmou que "o presidente terá de viver com essa decisão e defendê-la".
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Desafios 2004/2005: Sim, não há mundo unipolar, o que? – Segunda e última parte

Washington, 23/01/2005 – A visão de um mundo dominado pelos Estados Unidos, no papel de uma Nova Roma sem rivais, parece cada vez mais um sonho dos neoconservadores que cercam o presidente reeleito George W. Bush, devido aos déficits comercial e orçamentário sem precedentes e à paralisação a qual levou a ocupação do Iraque. Se não se impor ao mundo a "Pax Americana" sonhada pela coalizão de neoconservadores, nacionalistas agressivos e cristãos direitistas que impulsionou a guerra no Iraque, o que acontecerá? Três possibilidades são a mais discutidas em Washington por especialistas em política internacional.
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Desafios 2004/2005: Adeus mundo unipolar – Primeira parte

Washington, 23/01/2005 – Há um ano, os Estados Unidos tiravam de seu "ninho" o derrocado presidente iraquiano Saddam Hussein e seus comandantes anunciavam a queda da imprevista resistência que havia assolado por dois meses as forças de ocupação no Iraque. O governo de George W. Bush se mostrava jubiloso, destacando a luz no final do túnel de uma guerra iniciada em março de 2003. E com isto resolvido, os demais integrantes do "eixo do mal", Irã, Coréia do Norte e algum outro estado renegado como Síria, entenderiam bem a mensagem. Depois de tudo, o próprio líder da Líbia, Muammar Gadafi (renegado crônico por excelência), aparentemente muito impressionado pela sorte de Saddam, anunciava o desmantelamento voluntário de todas suas armas não convencionais. "Deixamos claro as opções que restam aos potenciais adversários. Espero que outros líderes sigam o exemplo" da Líbia, dizia o confiante Bush.
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Direitos Humanos: De defensor da tortura a procurador-geral nos EUA

Washington, 23/01/2005 – Grupos de direitos humanos pediram urgência ao Senado dos Estados Unidos no sentido de rever o papel do assessor legal presidencial Alberto Gonzales na criação de políticas de detenção e interrogatório de suspeitos terroristas, antes de confirmá-lo como procurador-geral. Gonzales, que provavelmente se converterá no primeiro cidadão de origem hispana a ocupar um cargo ministerial nesse país, foi muito criticado por ativistas dos direitos humanos por aprovar uma série de memorandos que os críticos vinculam diretamente com as torturas constatadas na prisão iraquiana de Abu Ghraib e outros abusos conhecidos desde abril passado.
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Iraque: Paralisado, com ou sem eleições

Washington, 23/01/2005 – Enquanto a atenção mundial se concentra nos efeitos catastróficos do maremoto do dia 26 de dezembro no oceano Índico, piora a situação no Iraque para as forças dos Estados Unidos e seus minguantes aliados. Washington e seus sócios no Iraque insistem em que as eleições do próximo dia 31 para formação de uma assembléia constituinte ajudarão a enfrentar a insurgência, mas figuras-chave do governo interino iraquiano e analistas externos duvidam, inclusive, que as eleições devam acontecer, devido à deterioração da segurança. Duas semanas depois de um atentado suicida que matou 18 soldados e contratados norte-americanos e três guardas de segurança iraquianos em uma base militar de Mosul, o assassinato do governador de Bagdá, Ali Haidary, aumentou as dúvidas quanto à possibilidade de proteger de maneira adequada os altos funcionários às vésperas da votação.
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Direitos humanos: Paz no Sul, genocídio sem fim no Oeste do Sudão

Washington, 23/01/2005 – A violência desenfreada na região sudanesa de Darfur preocupa observadores no Ocidente, apesar do acordo de paz alcançado pelo governo islâmico e árabe em Cartum com os cristãos do Sul, outro conflito em que estava envolvido. Tampouco acreditam que o regime da Frente Islâmica Nacional e o Movimento para a Liberação do Sul do Sudão cumpram plenamente o pacto estabelecido esta semana, sob intensa pressão internacional, apesar de o cessar-fogo obtido em 2002 ser cumprido após 22 anos de guerra.
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Direitos Humanos: Prêmio Nobel resiste à prepotência judicial

Washington, 23/01/2005 – A prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi está disposta a ir para a prisão por se negar a comparecer perante o Tribunal Revolucionário do Irã, que a convocou para uma audiência sem especificar a razão. Ebadi, premiada em Oslo em 2003 por seu trabalho em favor dos direitos das crianças, das mulheres e dos presos políticos do Irã,disse que não atenderá a convocação do tribunal por considerá-la ilegal e porque se nega a reconhecer a legitimidade dessa corte.
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