França: A rebelião dos segregados

Paris, 09/11/2005 – Os violentos protestos de jovens imigrantes ou filhos de imigrantes na França começaram a tomar a forma de uma rebelião em todo o país contra a segregação racial e social e a repressão da polícia. As manifestações de jovens procedentes em sua maioria do Magreb e da África subsaariana, que começaram há cerca de duas semanas nos subúrbios de Paris, se estenderam à própria capital e cidades como Marselha, Reins, Nantes e Lille. No final de semana, cerca de 1.400 veículos foram incendiados em todo o país, bem como vários supermercados e edifícios públicos, incluindo escolas e instalações esportivas. Até agora já foram detidas mais de 400 pessoas. Na segunda-feira morreu um homem que ferido durante os enfrentamentos. Testemunhas disseram que ele foi brutalmente golpeado por policiais.
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Direitos Humanos: Limpeza de imigrantes na França

Paris, 04/11/2005 – Os violentos enfrentamentos entre jovens imigrantes e policiais na França também desataram uma violenta guerra de palavras dentro do governo, a qual questiona o respeito deste país aos seus ideais em matéria de direitos humanos. Na semana passada, bandos de jovens imigrantes e descendentes de imigrantes incendiaram cerca de 50 automóveis e mais de uma centena de estabelecimentos comerciais e espaços públicos em áreas periféricas do nordeste de Paris. A polícia respondeu com granadas de gás contra uma mesquita do distrito de Clichy-sous-Bois, uma dessas regiões, a 30 quilômetros da capital. O incidente que desatou a violência generalizada foi a morte, no dia 27 de outubro, de três adolescentes, eletrocutados em uma estação de alta voltagem onde se escondiam para fugir da polícia.
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Saúde: Gripe aviária causa psicose na Europa

Berlim, 20/10/2005 – Os remédios antigripais se esgotam e o pânico toma conta da Europa na medida em que se confirma a presença da gripe do frango na Romênia, Grécia e Turquia e que são analisadas amostras suspeitas em outros países. "Nos dois últimos dias, recebi em minha clínica dezenas de pacientes que temiam ter contraído o vírus da gripe aviária", disse á IPS Dorothea Assenov, médica em Neukoelln, um distrito pobre do sudeste de Berlim. Assenov confirmou que coletas de toda a capital alemã poderiam contar a mesma história. "E nas farmácias estão esgotados os remédios contra resfriado e gripe", afirmou a médica.
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Pobreza: Trabalho infantil, "um mal necessário"

Helsinque, 09/09/2005 – "O trabalho infantil é um mal", afirma Aimé Bada, um defensor dos direitos da infância do Senegal. "Mas é um mal necessário, porque sem a renda que as crianças conseguem nos países mais pobres do mundo suas famílias estariam pior", acrescenta. Bada sabe do que fala, porque quando criança trabalhou muito para ajudar no sustento de sua família. Agora, defende os direitos da infância, e nesses direitos inclui o de trabalhar. Entretanto, disse em uma conferência sobre trabalho infantil em Helsinque, que meninos e meninas devem ter o direito de definir as condições do trabalho que realizam e de serem protegidos de abusos por parte de seus empregadores, tanto em nível doméstico quanto empresarial.
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Imigrantes: A outra face de Paris

Paris, 01/09/2005 – Chantal, uma imigrante da África ocidental, vive com o marido e os dois filhos em um edifício em ruínas no sul de Paris, dividindo espaço com ratos e baratas. Os banheiros ficam do lado de fora e são utilizados por todos os moradores do prédio. A sujeira acumulada e o mau cheiro tornam esses locais repulsivos."Tenho medo de tomar banhou ou fazer minhas necessidades aqui. Tenho medo de pegar alguma doença", diz Chantal, de 34 anos. "É uma vergonha viver neste lugar", acrescenta. No edifício vivem cerca de 250 imigrantes da África ocidental, em sua maioria da Costa do Marfim, antiga colônia francesa. Seu destino é o de centenas de milhares de imigrantes da África subsaariana e o Magreb, que vivem em condições sub-humanas em Paris e outras cidades da França.
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Ambiente: calor, seca e erosão causados pelo aquecimento afetam a França

Paris, 19/07/2005 – A França deve se preparar para suportar altas temperaturas de verão, secas e erosão, com prejuízos para agricultura, praias, biodiversidade e saúde humana, em razão das mudanças climáticas, advertiram cientistas e ambientalistas. O informe "Como adaptar-se a um clima à deriva?", apresentado ao governo do presidente Jacques Chirac pelo Observatório Nacional sobre o Efeito do Aquecimento Planetário (Inerc), indica que a temperatura na França pode aumentar nove graus até o final deste século. Esse prognóstico excede o pior cenário dos apresentados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que chega a nove graus, na média mundial.
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Energia: Gerador termonuclear gera dúvidas

Paris, 13/07/2005 – A euforia depois da decisão de construir na França o Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER) parecer ter evaporado. Ficam dúvidas e temores se é factível e sobre o custo de semelhante projeto. Trata-se de um plano piloto para introduzir uma nova tecnologia nuclear. Com o ITER se tentará a fusão dos isótopos de hidrogênio (o deutério, em abundância na natureza, e o trítio, um isótopo sintético) para produzir hélio com grande liberalização de energia e assim gerar eletricidade. O projeto internacional é financiado por China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Japão, Rússia e União Européia, com participação da Agência Internacional de Energia Atômica. Prevê-se que estará funcionando até 2016.
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Agricultura: Longa vida aos subsídios

Paris, 20/06/2005 – Os Estados Unidos e a maioria dos países da Europa não estão dispostos a acabar com seus multimilionários subsídios agrícolas, apesar das fortes críticas do Sul em desenvolvimento, disse à IPS o ex-comissário de Agricultura da União Européia, Franz Fischler. Este especialista austríaco presidiu na semana passada, em Paris, uma Reunião de Alto Nível do Comitê Agrícola da Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), da qual também participaram representantes do Brasil, China, Índia e África do Sul. Estas quatro nações lideram o Grupo dos 20 países em desenvolvimento, criado em 2003 para coordenar as posições do Sul na quinta reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio realizada nesse ano no balneário mexicano de Cancún, e que ainda luta pela abertura do mercado agrícola internacional.
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