Índia: Do desarmamento nuclear à não-proliferação

Nova Délhi, 28/10/2005 – Sete anos depois de a Índia conseguir um lugar, às cotoveladas, entre os possuidores de armas nucleares, este país abandonou sua posição histórica em favor do desarmamento nuclear e aderiu à não-proliferação. O secretário de Relações Exteriores do governo, Shyam Saran, anunciou a orientação da nova doutrina: a Índia "se somará ao novo consenso global de não-proliferação nuclear". Esta nova postura tem correspondência com o acordo estratégico em matéria nuclear que Nova Délhi assinou com os Estados Unidos, em julho passado. De agora em diante, se a Índia afirmar ter um compromisso com a abolição universal das armas nucleares, serão palavras vazias de conteúdo.
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Índia-Paquistão: Terremoto amplificado pela inimizade

Nova Délhi, 20/10/2005 – Enquanto aumenta a quantidade de vítimas do terremoto que sacudiu a Caxemira no último dia 8, a ajuda humanitária é refém de manobras diplomáticas e cálculos políticos por parte da Índia e do Paquistão. Em lugar de se concentrarem em ajudar mais eficazmente os sobreviventes dessa região, repartida entre os dois países, ambos governos estão desperdiçando uma preciosa oportunidade de cooperação. Se tivessem coordenado as ações de resgate nos primeiros dias posteriores à catástrofe, mais de 10 mil pessoas teriam sido salvas, segundo socorristas. Por outro lado, o inverno já chegou à essa isolada região montanhosa, e o tempo está acabando. Na cordilheira de Pir Panjal, que corre ao longo da Caxemira, já começou a nevar. Em apenas duas semanas, as áreas mais afetadas pelo terremoto ficarão inacessíveis.
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Energia: A Índia se afasta do não-alinhamento

Nova Délhi, 28/09/2005 – Ao votar a favor do puxão de orelhas no Irã, promovido pelo Ocidente na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Índia afastou-se de sua tradicional política de não-alinhamento. Com exceção dos últimos acordos firmados com os Estados Unidos sobre cooperação nuclear civil e militar, parte de uma "aliança estratégica" cada vez mais estreita, a decisão a respeito do Irã constitui a maior mudança na política externa indiana, desde a independência do regime colonial britânico em 1947. Segundo Gulshan Dietl, um especialista em Ásia ocidental na Escola de Estudos Internacionais da Universidade Jawaharlal Nehru, ao dar "este passo vergonhoso", a Índia se mostra como uma prostituta que defende os interesses de Washington mais dos que os seus próprios.
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Irã: Brincando com fogo nuclear

Nova Délhi, 04/08/2005 – A ameaça do Irã de que reiniciará atividades nucleares limitadas, pois a União Européia não cumpriu a promessa de propor alternativas para seu programa de desenvolvimento econômico, é parte de um perigoso jogo de estratégia internacional. O grupo de países europeus que negociam com Teerã sobre a questão nuclear, integrado por Alemanha, França e Grã-Bretanha, conhecido como UE-3, advertiu que "qualquer movimento unilateral" por parte do Irã seria "desnecessário e prejudicial" e poderia tornar "muito difícil continuar" com as negociações. Observadores na Índia, país que acaba de assinar um acordo sobre comércio nuclear com os Estados Unidos, vêem estas advertências como parte de um jogo de pressão que pode ter um triste final.
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Nuclear: Estados Unidos e Índia voltam à cooperar

Nova Délhi, 20/07/2005 – Mais de 30 anos depois que os Estados Unidos se retiraram de um acordo de cooperação nuclear com Índia porque este país realizou um teste atômico, os dois governos acertaram o reinício da colaboração sobre energia nuclear para uso civil. Uma declaração conjunta divulgada nesta terça-feira em Washington pelo presidente George W. Bush e pelo visitante primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, diz que os Estados Unidos "agora trabalharão com amigos e aliados para ajustar regimes internacionais a fim de permitir o pleno comércio de energia nuclear com a Índia". Na essência, isto significa que o governo norte-americano aceitou a Índia como nova potência nuclear, embora eufemisticamente a chame de "nação com avançada tecnologia nuclear".
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