Metas do Milênio: A pobreza não é uma estatística

Montevidéu, 16/09/2005 – Combater a pobreza exige que ela seja medida em sua complexidade. Não se define por um ou dois dólares por dia, nem há vantagens em diferenciar os muito pobres dos "quase" muito pobres, diz o relatório 2005 da rede Social Watch. Embora a pobreza seja conseqüência da "distribuição radicalmente desigual da renda", também obedece ao acesso desigual aos ativos, às oportunidades de trabalho e serviços sociais, à participação cidadã, ao poder político e à informação, diz o documento, intitulado "Gritos e sussurros: Gênero e pobreza: mais promessas do que ações", divulgado na quarta-feira em Nova York. "O critério de renda inferior a um dólar diário foi estabelecido pelo Banco Mundial, no que se conhece como linha internacional de pobreza extrema", recorda o informe Social Watch/Controle Cidadão, que propõe observar o mundo segundo dois novos índices de desenvolvimento e igualdade de gênero.
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Religião-mulheres: Não basta ser freira

Montevidéu, 02/05/2005 – As mulheres católicas que aspiram ao sacerdócio enfrentam uma dura temporada de tormentas, iniciada com o pontificado de Bento XVI. Alguns acreditam que o ministério feminino é apenas questão de tempo, pois a Igreja lançará mãos das mulheres como paliativo para a redução do número de sacerdotes, que ameaça sua sobrevivência em vários lugares do planeta. Durante o papado de João Paulo II (1978-2005), o número de católicos passou de 758 milhões para 1,071 bilhão, medidos pela quantidade de batismos, apenas acompanhando o crescimento da população mundial. No mesmo período, o número de padres caiu 3,7% e o de freiras 20,9%, segundo o Anuário Pontifício. Mas, algumas mulheres não gostam desse argumento.
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Danilo Astori: Os grandes problemas do Mercosul continuam sem solução

Montevidéu, 21/03/2005 – O ministro da Economia do novo governo esquerdista do Uruguai, Danilo Astori, acredita que agora está claro para organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) que as prioridades da política econômica de um país são fixadas pelo seu governo. E se alegra com o resultado da troca da dívida argentina, embora nunca tomaria esse rumo. Senador e ex-decano da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade da República, Astori competiu no passado com o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, pela principal candidatura da coalizão de esquerda Frente Ampla, que venceu as eleições em outubro do ano passado.
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Mulher: Política, território a ser conquistado

Montevidéu, 09/03/2005 – As mulheres que exercem poder político na América Latina são poucas. Algumas adotam práticas masculinas e outras resistem aos costumes machistas, como a linguagem sexista. Mas, vários fatos indicam uma nova dinâmica. O acesso feminino aos poderes constitucionais continua sendo escasso. Apenas umas poucas aventuradas em um território moldado por e para os homens. No Brasil, muitos legisladores ainda se dirigem aos seus pares mulheres como "meu amor" ou "querida", o que causa indignação a senadoras e deputadas, contou à IPS a assessora parlamentar Milena Calaznas, da organização não-governamental Cfêmea, que acompanha projetos de interesse feminino no Congresso.
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Uruguai: Esquerda muda a história e se diferencia dos vizinhos

Montevidéu, 02/03/2005 – A chegada ao poder de um governo de esquerda no Uruguai marca uma mudança na história desse pequeno país sul-americano e completa um quebra-cabeça sub-regional definitivamente diferente do cenário neoliberal dos anos 90. a sensação de mudança foi visível nas ruas de Montevidéu e pelas gargantas de dezenas de milhares de pessoas que foram para as ruas comemorar um dia histórico, que também marcou o vigésimo aniversário da restauração democrática após quase 12 ano de ditadura militar. Essa sensação também foi notada no discurso pronunciado pelo agora presidente Tabaré Vázquez, depois de jurar fidelidade à Constituição perante a Assembléia Geral legislativa.
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Clima: A poluição cotada alta

Montevidéu, 21/02/2005 – O desejo de lucro, motor da poluente revolução industrial do Ocidente, está na lógica do Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor no dia 16, para que os países ricos coloquem cotação nos gases que estão alterando o clima terrestre. Paradoxalmente, o dióxido de carbono (um dos gases que aquecem a atmosfera) já tem cotação. No mercado europeu é transacionado a 7,9 euros (US$ 10) a tonelada, e pode subir rapidamente para US$ 12, segundo operadores financeiros. Tem sentido vender e comprar gases? Tem, para as empresas de 35 nações industriais obrigadas pelo Protocolo a reduzirem suas emissões. Sobretudo, se o esquema implica reduzir custo e obter lucro.
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Desafios 2004/2005: América do Sul cozinha à chinesa

Montevidéu, 23/01/2005 – Enquanto os Estados Unidos olham para o outro lado, a China se cola à América do Sul, onde pode favorecer um modelo econômico baseado na extração de matérias-primas, e apimentar a já picante corrupção vernácula. Estes parecem os riscos imediatos da repentina aproximação do maior país do mundo. Como, segundo alguns especialistas, a China tem o potencial de se converter em uma nova presença hegemônica na região em duas décadas, sua influência também pode supor uma mudança importante no equilíbrio de forças geopolíticas e econ6omicas do hemisfério. A importância da região para Pequim foi ressaltada pela visita do presidente Hu Jintao a quatro nações latino-americanas em novembro (Brasil, Argentina, Chile e Cuba).
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Comunicações: A aventura de construir uma imprensa independente no Afeganistão

Montevidéu, 20/01/2005 – No Afeganistão "há intimidação, violência, problemas de segurança", mas "o que mais custa é liberar perguntas sem as quais um jornalista não existe. Perguntar por que e para que", explica o argentino Ricardo Grassi, embarcado na tarefa de criar uma imprensa independente nesse país em guerra. Pajhwok Afghan News (algo como Notícias Afegãs Eco) começou a transmitir informações pouco antes das eleições nacionais de 9 de outubro. Na quarta-feira passada foi anunciada oficialmente a vitória do até agora presidente interino, Hamid Kazai. O Afeganistão continua ocupado por 20 mil soldados norte-americanos e cerca de mais três mil da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
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