Desenvolvimento: Ocidente freia a economia mundial

Londres, 05/09/2005 – A economia mundial enfrenta "sérios riscos de um retrocesso", adverte em seu relatório anual a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Embora persista a expansão econômica mundial, a moderação do crescimento no primeiro semestre deste ano deveria servir de alerta, afirma esta agência da ONU. "O principal motor de crescimento, a economia norte-americana, pode ficar sem combustível antes que outros países da região possam assumir esse papel", afirma o estudo. "Os países da união monetária européia têm sido incapazes de sair de uma prolongada estagnação econômica, e o Japão, apesar de algumas melhoras, ainda luta contra a deflação", acrescenta o informe.
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Desenvolvimento: Microcrédito em queda

Londres, 25/08/2005 – Os melhores anos do microcrédito podem chegar ao fim apesar dos esforços da Organização das Nações Unidas para revivê-lo como ferramenta de combate à pobreza, alertam especialistas. A ONU declarou 2005 o ano Internacional do Microcrédito, mas os doadores e as instituições de crédito não parecem responder como era de se esperar, disse Kate Bird, do Overseas Developmente Institute (ODI-Instituto para o Desenvolvimento de Ultramar), um grupo independente com sede em Londres. Bird afirmou que o impulso oferecido pelas Nações Unidas equivale a respiração artificial para o microcrédito. "O mundo em desenvolvimento está cheio de modismos, e esta ferramenta em particular está saindo de moda. Talvez o microfinanciamento tenha caído em descrédito porque se esperava muito dele", afirmou à IPS.
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Palestina: Retirada de Gaza, preâmbulo de fome

Londres, 18/08/2005 – A retirada dos colonos judeus de Gaza deixa em evidência panoramas contrastantes: os desalojados recebem do governo de Israel altas compensações financeiras, enquanto seus vizinhos palestinos podem passar fome por causa da retirada. Cada família judia que abandona sua casa recebe, em média, uma indenização no valor de US$ 250 mil mais diversas bonificações: dois anos de aluguel da nova casa, pagamento das despesas com mudança e compensação pela perda de terras produtivas, entre outras. Assim, algumas famílias chegam a embolsar US$ 500 mil. Por outro lado, o Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas, cuida de estocar alimentos para garantir que os palestinos em Gaza não passem fome à medida que os colonos se retiram.
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Ambiente: A Terra aquece mais rápido do que se esperava

Londres, 15/08/2005 – Um significativo aquecimento do clima em várias cidades da Europa parece indicar que o previsto aumento de dois graus na temperatura global pode ocorrer antes do esperado. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) comparou a temperatura média atual de 16 cidades européias com dados dos anos 70, e constatou aumento superior a dois graus nas principais capitais do continente. "Um aumento de dois graus pode ser determinante para a população e a natureza. Não importa o que façamos, haverá um aumento de pelo menos 0,7 graus na Europa.
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Indígenas: Onda mundial de violência e impunidade

Londres, 10/08/2005 – Soldados da Indonésia cortaram o rosto e o corpo de Petto Wenda com uma navalha, jogaram gasolina em sua cabeça e colocaram fogo. O ataque aconteceu na aldeia Pyramid, habitada pela tribo Lani, nas montanhas da província de Papua. Outros dois homens foram feridos a tiros e estão desaparecidos na selva, onde também se escondem os outros aldeões desde que essas tragédias aconteceram, em julho. Estima-se que aproximadamente 6,5 mil indígenas papuanos fugiram de suas aldeias e pelo menos 50 morreram de fome e doenças, denunciou a organização humanitária britânica Survival International (Sobrevivência Internacional).
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Direitos Humanos: Licença para matar

Londres, 27/07/2005 – O fato de uma pessoa inocente ter sido executada pela polícia de Londres é trágico, mas a justificativa oficial para esse ato é aterradora. Depois dos atentados do dia 7 no sistema de transportes londrino, que deixaram pelo menos 56 mortos, a polícia instaurou uma política de "disparar para matar" contra suspeitos de terrorismo. A suspeita não deve partir de fontes confiáveis de inteligência, mas da simples avaliação da aparência e do comportamento de um indivíduo por agentes policiais. Até sexta-feira passada, quando policiais à paisana perseguiram um homem por uma estação de trens, o empurraram para dentro de um vagão e o executaram com oito tiros diante dos olhares atônitos dos passageiros, todos acreditavam que somente um personagem da ficção como James Bond tinha "licença para matar". Agora é esta a política oficial da Grã-Bretanha.
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Terrorismo: Grã-Bretanha ignora o fator Iraque

Londres, 18/07/2005 – A conexão iraquiana está ausente das declarações do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sobre os atentados do último dia 7, que deixaram mais de 50 mortos e 700 feridos. Entretanto, novos acontecimentos sugerem um forte vínculo entre esses ataques com bomba no transporte público de Londres e a invasão e ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha. Um amigo dos três cidadãos de origem paquistanesa apontados pelas autoridades britânicas como os terroristas suicidas (Shahzad Tanweer, Mohammed Sadique Khan e Hasib Hussain) afirmou que os três costumavam falar da injustiça cometida contra os muçulmanos no Iraque. Isto indica que a guerra contra esse país estava na mente dos terroristas e de quem o recrutou.
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Muçulmanos: Os mais vulneráveis na Grã-Bretanha

Londres, 12/07/2005 – As bombas que explodiram na semana passada na capital da Grã-Bretanha, matando mais de 50 pessoas e deixando outras 700 feridas, parecem ter comovido mais a comunidade muçulmana britânica do que a cidade de Londres. A vida londrina lentamente volta à rotina, e centenas de milhares de pessoas pouco a pouco se animam a usar novamente o metrô e os ônibus para irem trabalhar, como faziam até quinta-feira passada. Nesse dia três bombas explodiram na rede do metrô e uma quarta em um ônibus. Embora a investigação esteja apenas começando, a polícia já aponta para a rede extremista Al Qaeda, liderada pelo foragido saudita Osama bin Laden.
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África: Ajuda, só com privatização

Gleneagles, Escócia, 11/07/2005 – Os líderes do Grupo dos Oito países mais poderosos ofereceram muito pouco à África, mas continuam exigindo muito em troca. Na cúpula do G-8, concluída sexta-feira na localidade escocesa de Gleneagles, foram manejados muitos números para satisfazer demandas das estrelas do rock que lideraram uma campanha contra a pobreza, entre elas o britânico Bob Geldof e o irlandês Bono Vox. Os chefes de Estado e governo do G-8 anunciaram que, "junto com outros doadores, impulsionarão um aumento da ajuda oficial para o desenvolvimento da África de US$ 25 bilhões anuais até 2010". Se considerarmos que hoje são outorgados US$ 25 bilhões de assistência, a ajuda prometida aumenta para a mágica quantia de US$ 50 bilhões.
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Ambiente: Líderes do sul desafiam o Grupo dos Oito

Gleneagles, Escócia, 08/07/2005 – Líderes das cinco maiores nações em desenvolvimento desafiaram abertamente nesta quinta-feira o Grupo dos Oito países mais poderosos, que tentou propor um abandono do Protocolo de Kyoto, o único instrumento internacional para deter a mudança climática. O primeiro sinal sobre uma mudança a respeito desse documento apareceu menos de uma hora antes da explosão da primeira bomba no transporte público de Londres. Longe de converter o presidente norte-americano, George W. Bush (renegado de Kyoto desde 2001), o que aconteceu na cúpula do G-8 foi totalmente o contrário. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reconheceu em um comunicado que os Estados Unidos não aceitarão nunca o Protocolo de Kyoto e que não tinha "sentido voltar a repetir o debate sobre Kyoto".
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